O bar é uma instituição, uma extensão da casa ou trabalho de muita gente, onde todo mundo tem uma história. É o local onde nascem amores, por meio daquela troca de olhares casual. Ou onde relacionamentos de anos são desfeitos por causa de ciúmes incontroláveis. As amizades mais incríveis são as de boteco, daqueles amigos que bebem em silêncio ou falam alto – mas são suficientes. As teorias políticas, econômicas e filosóficas (esquecidas na manhã seguinte) surgem lá. Todo mundo já resolveu o problema do mundo em uma mesa de bar, depois daquele porre homérico.
  Mais uma função foi encontrada para o bar. De maneira descontraída – quase de brincadeira, como não poderia deixar de ser – um grupo de Curitiba resolveu, há cerca de um ano e meio, botar ordem no botequim e organizar esse caos. Foi assim que nasceu o Barnautas, grupo com cerca de 15 pessoas que se reúne todas as quintas-feiras em bares diferentes da cidade.
  Normal, poderia-se dizer. A idéia, no entanto, não é só beber e bater papo. Os bares são sempre avaliados em categorias distintas. Cerveja (gelada e bem servida), petiscos, ambiente, atendimento e, mais recentemente, estado dos banheiros estão entre os quesitos principais.
  Talvez os boêmios mais etílicos de Curitiba já tenham se deparado com o grupo que, nesse meio tempo, já rodou mais de 60 bares, botecos, botequins, biroscas ou qualquer outro lugar onde se tenha uma mesa, cadeiras e, lógico, cerveja gelada e petiscos saborosos.
  Azar dos locais que não correspondem ao paladar e as exigências dos bons bebedores do Barnautas, funcionários públicos que têm, em média, 40, 50 anos. Todos bem experientes no quesito mesa de bar. ‘‘Só temos uma regra: não se pode falar de assunto sério’’, afirma Denise Khoury, 52 anos, uma das fundadoras e espécie de presidente do grupo.
  No começo, no dia 27 de dezembro de 2006, era apenas uma brincadeira entre quatro colegas de trabalho que saíram do escritório para um happy hour sem compromisso. Continua assim no espírito. No entanto, desde do início do ano, cada reunião passou a ser documentada em um relatório, uma espécie de ata, que é escrito e repassado a todos por e-mail. A encarregada é a própria Denise, que teve a idéia durante um reunião. ‘‘No dia seguinte, escrevi um relatório e mandei para todos. Aí fiz o mesmo na outra semana. Eles gostaram’’. Virou tradição.

REGRAS GERAIS
Dicas de quem tem experiência para uma boa convivência entre amigos e bares:
- Todo mundo que senta na mesa, paga igual. Nunca brigue por dinheiro.
- Se a grana estiver curta, o nível do bar pode cair. Deixar de comparecer não.
- Música alta, lugar que não dá para conversar e cerveja quente (ou falta de opção de marcas) espantam qualquer bom bebedor.
- Bar sofisticado não quer dizer que o bar é bom.
- É proibido ficar com o copo vazio.
- Tudo o que é falado na mesa do bar, na mesa do bar fica.

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