Navegando em mares do passado
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Filipe Pimentel 
Fotos Kraw PenasO aposentado Silvio Sampaio ao lado de uma nau egípcia do ano 2.700 Antes de Cristo. Ao fundo embarcações de sua coleção particularDe um lado um Umiak, uma embarcação do período paleolítico ou Idade da Pedra Lascada (entre 3,5 milhões e 10 mil anos Antes de Cristo), achada na região da Escandinávia. De outro o San Phillipe, um navio do século 18, que pertenceu à Coroa Espanhola e era considerado o mais moderno da época. Quem entra pela primeira vez no pequeno museu particular do aposentado Sílvio Sampaio, de 68 anos, tem a impressão de ter voltado séculos e até milênios, no tempo. São 15 embarcações, ricas em detalhes, que retratam desde os primórdios da navegação - e do próprio homem - até as grandes conquistas, realizadas entre os séculos 15 e 18.
A idéia de reproduzir em tamanho pequeno os grandes navios de cada época da história da humanidade surgiu há mais de 30 anos. Entretanto só foi levada a cabo há 15 anos, quando Sampaio se aposentou do funcionalismo público. Dá um trabalho muito grande montar uma embarcação destas. Por isso só pude colocar em prática depois que me aposentei, conta.
Uma Umiak, usado pelos homens da Idade da Pedra Lascada (Período Paleolítico) 10 mil anos Antes de Cristo
A reprodução das embarcações começa antes mesmo de ele ter o projeto da nau. Entro em contato com amigos de Portugal, Espanha e até museus destes países para poder conseguir uma planta do navio, explica Sampaio. De posse das plantas, ele começa um minucioso estudo sobre cada parte da embarcação. Após isso é que vou para oficina e começo a trabalhar.
Ele utiliza a madeira, como imbuia, jacarandá, cedro, marfim, virola, pinus e muitas outras, para criar suas réplicas perfeitas. Qualquer peça do navio pode ser fabricada na oficina, diz. Ele tem todo o tipo de serra, torno e lixa para produzir deste a estutura do navio, que pode chegar a ter 1,5 metro, ou um canhão ou uma cadeira, que não mede mais que dois centímetros.
A reprodução das embarcações é demorada. Silvio Sampaio demora de três a oito meses para terminar uma réplica. A mais demorada, e primeira construída, foi a San Phillipe, que ficou pronta depois de oito meses de trabalho. E são meses bem trabalhados, pois entro na oficina às 7 horas da manhã e só saio depois de anoitecer, garante.
UM Galeão de Guerra espanhol, do ano de 1620 reproduzido em corte, mostrando todos os detalhes de seu interior
Passeando pelo museu naval de Sampaio é possível encontar navios de todas as épocas. Ele já reproduziu o navio do Faraó Sarruri, 5ª dinastia (do ano 2.700 A.C) do Egito, uma nau germânica, o Mayflower da Inglaterra (Século 17), um galeão de Guerra (em corte longitudinal), um barco romana, do ano 50 D.C e um navio de guerra holandês (século 17). Os fenícios, considerados pais da navegação, não foram esquecidos. Ele reproduziu uma nau do ano 1.500 A.C.


