Homens preocupados com a própria aparência mereceram, nos últimos anos, atenção especial de analistas de mercado que viram neste grupo mais um potencial nicho de consumo. Uma das pesquisas mais recentes sobre o tema foi divulgada pelo Ibope Mídia no mês de outubro.
De acordo com o levantamento, realizado em 11 regiões metropolitanas brasileiras, incluindo Curitiba, 56% dos homens usam algum produto para cabelo, corpo ou rosto e 23% estão dispostos a fazer cirurgia plástica.
Na virada do século, os vaidosos, que admitiram usar cosméticos e frequentar centros de estética, passaram a ser identificados como metrossexuais. Mas, o termo não ''pegou''. Afinal, mesmo que esteja mais liberal, o brasileiro mantém um certo orgulho do título de ''machão''.
Para agradar a essa parcela de homens que se cuidam, mas fazem questão de ''manter a fama de mau'', surgiram locais como a Barbearia Clube, inaugurada na capital no início de dezembro. Ali também mulher não entra.
''A proposta é muito boa. Eu sou da época do barbeiro, um profissional quase em extinção'', afirma o administrador de empresas Zigmund Korn, de 55 anos, depois de ter se submetido a uma limpeza de pele profunda, ou melhor, à ''faxina na pele'' e, pela primeira vez, à depilação do peito, aliás, ''retirada de pêlos'', como faz questão de frisar a campanha de divulgação da Clube.
''É para agradar a minha mulher'', justificava. Korn diz que frequentava um salão misto, no Centro, próximo a seu escritório, mas desistiu, principalmente por não suportar a música em alto volume. ''Não era nada agradável.''
Além da decoração ''arrojada'', do bar e da tv sintonizada no canal de esportes, o lugar também oferece serviços ''normais'' de qualquer barbearia. ''Nossa intenção foi resgatar essa imagem do barbeiro, que nos últimos tempos foi obrigado a migrar para os salões'', argumenta Meire Ferreira Pinto que abriu a Clube em sociedade com a irmã, Márcia.
As duas, que trabalharam por 20 anos no setor de distribuição de cosméticos, investiram R$ 100 mil no negócio que deverá ser ampliado, como franquia, para o Rio de Janeiro e Brasília.
Embora tenha sido formatado para atender homens com mais de 40 anos, o local é procurado por jovens. ''Muitos atletas têm vindo, e também adolescentes acompanhando os pais. As mulheres vêm por curiosidade, para ver como funciona'', conta Meire Ferreira Pinto.
A empresária está à procura de um profissional que, assim como o barbeiro, faz parte do autêntico universo masculino, o engraxate. ''Já conversei com alguns que trabalham na Rua XV (de Novembro), mas eles estão ali há muitos anos, têm freguesia certa e não querem mudar de lugar'', lamenta. (L.X.)

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