Dia de sol, céu azul e vento constante. Este é o cenário perfeito para o proprietário de uma oficina de moto, em Ribeirão Claro (180 km de Londrina), deixar o trabalho e correr para cima do morro mais alto. Calébio Barbosa de Souza, de 44 anos, pratica vôo livre desde 1997 e o relevo local foi grande incentivador do esportista.
Morro do Gavião, do Padilha ou do Cruzeiro, não importa onde será a próxima decolagem, Souza está sempre disposto a pegar a mochila de 15 quilos, e levantar vôo. ''No começo eu tinha medo, mas depois fui perdendo'', relembra o mecânico. E foi com a apostila do amigo de Ipaussu, no interior de São Paulo, que ele teve as primeiras noções de física e meteorologia.
Hoje, Souza já contabiliza mais de 100 vôos e fala com propriedade da direção correta do vento e das térmicas, ondas de ar quente capaz de jogar a paraglider para o alto. O equipamente ele comprou com muito esforço. ''Paguei 800 dólares pelo paraglider usado. Um novo é bem mais caro'', conta.
A única frustração do mecânico é não ter companheiros na cidade para praticar o esporte, que precisa sempre de uma outra pessoa para fazer o resgate. ''Se a gente conseguisse juntar umas três pessoas interessadas eu conseguiria chamar um instrutor de Curitiba para ensinar'', garante Souza com a esperança de ganhar parceiros.
Ribeirão Claro, porém, não é só palco para esportes aéreos. No site da Secretaria Estadual de Turismo do Paraná (Setu), a cidade é indicada como propícia para vários esportes radicais como rappel, canoagem e escalada. E com tanto potencial a prefeitura resolveu incentivar a garotada da comunidade.
Há cinco anos, um projeto municipal em parceria com programa Segunto Tempo Navegar do governo Federal, criou no balneário da Cachoeira (11 km da área urbana) uma pequena escola de canoagem. Hoje, são 160 alunos de 12 a 15 anos que praticam o esporte no contraturno escolar. ''Aqui também treina o pessoal da Associação Ribeirão Clarense de Canoagem, que é um nível mais profissional'', conta o coordenador do proejto Paulo Damatta Lobo.
Os alunos contam com 30 caiaques para treinar, dos quais 10 são da prefeitura, além de ônibus diário que leva os adolescentes da cidade para o distrito. ''Nós até temos duas meninas na Seleção Brasileira'', orgulha-se Lobo.
Adrielia Aparecida Soares de Freitas, de 16 anos, e Rosivânia Aparecida Gomes, de 17, são o orgulho da cidade. ''Não imaginava que entraria na seleção'', confessa Rosivânia. As duas passaram na seletiva no final de 2003 e embarcaram para Caxias do Sul (RS), base da seleção, em janeiro de 2004. ''No começo foi difícil, tinha muita saudade'', relembra Adrielia. De férias em Ribeirão Claro, as garotas não abandonam os remos. ''Fim de ano a gente treina quando quer'', afirma Adrielia.

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