Natureza para todas as classes
O engenheiro Eurico Borges dos Reis, juntamente com a mulher e o filho, profissionais da mesma área, constroem, desde 1986, residenciais preservando os espaços verdes e bosques de propriedades particulares nos municípios de Curitiba, São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré, esses dois últimos, na Região Metropolitana.
''Sempre construímos com o foco na discussão ambiental que, inclusive, é um excelente diferencial de marketing'', afirma Reis, que hoje é dono da Conceito e Moradia - Planejamento e Construtora Habitacional.
O primeiro empreendimento do trio familiar foi erguido numa época em que, segundo Reis, não existia a preocupação da preservação e na qual a regra era desmatar o que fosse possível para dar mais espaço a lotes e casas. ''A gente já inovava ao preservar araucárias lá existentes. Percebi também que os clientes gostavam de morar em ambientes preservados e que estavam dispostos a pagar um pouco mais por isso'', conta ele, contabilizando mais de 30 empreedimentos voltados para várias classes sociais.
''Não é questão de renda, classe social ou padrão de construção optar por morar num local desses. Trata-se de mentalidade empresarial e estar atento a essas novas demandas de mercado. Nos nossos condomínios e loteamentos, temos imóveis de R$ 1 milhão ou mais, mas também temos empreendimentos com unidades a partir de R$ 30 mil. A busca por um melhor lugar para se viver e criar os filhos, não é privilégio das classes sociais mais aquinhoadas'', diz Reis.
O engenheiro acredita que as pessoas buscam a paz, a harmonia e tempo para si e para a família quando escolhem morar num local nesse perfil. ''Buscam resgatar a infância perdida e poder oferecê-la em plenitude para os seus filhos e entes queridos. Querem subir em árvores, colher frutas do pé, escutar os passarinhos, ver os serelepes e sentir-se vivos, em comunhão com a natureza que nos acolhe.''
Almirante Tamandaré
No bairro de Lamenha Pequena, em Almirante Tamandaré, os atuais e futuros moradores do loteamento Colinas do Sol são vizinhos de um bosque preservado de mata nativa. ''A gente vê serelepes e muitos pássaros. Dia desses, um viznho se assustou com o grito estridente dos tucanos. Eles aparecem até no quintal e são atraídos para a região por causa das araucárias, já que se alimentam de pinhão'', conta o professor de Educação Física, Edson Reickdal, de 34 anos, que se mudou há seis meses para o lugar, com a mulher, Alexandra.
Há um mês, o casal teve a pequena Manoela. ''Nosso desejo era morar num lugar assim antes de ter nossa filha. Queremos que ela cresça junto à natureza. Penso até em construir uma casinha na árvore para ela e os amiguinhos'', planeja ele, que ainda fará uma trilha na mata. ''Depois do trabalho, chego em casa, dou um beijo na nenê e logo me vem a tranquilidade. A vida aqui é uma alegria. Há planos até da prefeitura fazer uma pracinha aqui na frente, mas sem destruir a natureza. Está garantido que neste bosque ninguém mexe'', comemora Edson. (F.G.)





