Natal em setembro?
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Passando pela frente de algumas lojas de Curitiba, temos aquela impressão angustiante de que o ano já terminou. A culpa é dos papais-noéis, guirlandas, presépios e árvores de Natal, que em pleno mês de setembro, insistem em marcar presença nas vitrines.
Se alguns têm a má impressão de que o tempo andou mais rápido do que deveria, outros mal podem esperar para trocar a decoração natalina. É o caso da dona de casa Anita Koteski, que afirma esperar alucinadamente por esta época. Logo que chegam as primeiras novidades na loja Santa Claus especializada em artigos de decoração natalina lá está Anita.
É tudo lindo, se pudesse eu comprava tudo, declara-se, dizendo que o Natal é a época mais bonita do ano e uma data que tem um significado muito importante para ela e sua família. É tempo de ficar unidos, aponta. Através dos itens de decoração, a dona de casa consegue prolongar ainda mais esses momentos, para além do mês de dezembro e muito além do tempo presente. Esses bonecos e coisas bonitas transportam a gente para a infância, conta a avó de quatro netos, rejuvenescida pelo espírito natalino.
Outra que tenta esticar ao máximo o período das festas natalinas é Guilhermina Feldhaus, que desde setembro aproveita para comprar artigos de decoração para o Natal. Não adianta montar a árvore só por 20 dias, tem que aproveitar mais, afirma. Seu marido, José Júnior, diverte-se com a empolgação da companheira: A gente gasta mais com decoração do que com os presentes. O casal mora próximo à Casa dos Bonecos, em Santa Felicidade, que desde o final de agosto já tem a decoração natalina pronta para clientes que queiram se antecipar. Não gosto de deixar as coisas para a última hora, justifica Guilhermina.
A Casa dos Bonecos muda de feição três vezes ao longo do ano. De janeiro até abril, a decoração tem como tema a Páscoa. De agosto a dezembro, o Natal, e durante o resto do ano comercializa presentes em geral. Segundo Lúcio Flávio, funcionário administrativo da loja, o investimento na decoração de fim de ano é muito maior do que nas outras épocas, bem como as vendas. Chega a ser o dobro da Páscoa, compara. Para atender tamanha demanda, o número de funcionários da Casa chega a triplicar nessa época do ano. O mesmo ocorre na Santa Claus, que contrata cinco pessoas a mais para dar conta de fregueses como a dona Anita, que aguardam ansiosamente pela chegada de setembro.
Segundo a proprietária da Santa Claus, Valéria Marchioro, o consumidor dessa época é um pouco diferente do normal. Eles querem saber de novidade e exclusividade. Com 15 anos de tradição em produtos natalinos, a loja já cativou um público fiel. O pessoal já se programou para comprar antes, conta a proprietária. Segundo ela, mais de três meses antes do Natal, já havia encomendas de produtos de decoração. Para este ano, a previsão é um aumento de 15% no volume de vendas em relação ao ano passado. Todo ano cresce (o movimento) um pouquinho mais, comemora Valéria.
Em ambas as lojas, existe a procura tanto de pessoas físicas quanto de empresas que compram esses produtos para revender. A elevada procura prévia desses produtos faz com que alguns se esgotem antes de dezembro chegar. Segundo Guilhermina, essa é uma boa notícia para quem não gosta de encontrar itens repetidos. Todo ano têm coisas novas, observa.


