Passando pela frente de algumas lojas de Curitiba, temos aquela impressão angustiante de que o ano já terminou. A culpa é dos papais-noéis, guirlandas, presépios e árvores de Natal, que em pleno mês de setembro, insistem em marcar presença nas vitrines.
  Se alguns têm a má impressão de que o tempo andou mais rápido do que deveria, outros mal podem esperar para trocar a decoração natalina. É o caso da dona de casa Anita Koteski, que afirma esperar ‘‘alucinadamente’’ por esta época. Logo que chegam as primeiras novidades na loja Santa Claus – especializada em artigos de decoração natalina – lá está Anita.
  ‘‘É tudo lindo, se pudesse eu comprava tudo’’, declara-se, dizendo que o Natal é a época mais bonita do ano e uma data que tem um significado muito importante para ela e sua família. ‘‘É tempo de ficar unidos’’, aponta. Através dos itens de decoração, a dona de casa consegue prolongar ainda mais esses momentos, para além do mês de dezembro e muito além do tempo presente. ‘‘Esses bonecos e coisas bonitas transportam a gente para a infância’’, conta a avó de quatro netos, rejuvenescida pelo espírito natalino.
  Outra que tenta esticar ao máximo o período das festas natalinas é Guilhermina Feldhaus, que desde setembro aproveita para comprar artigos de decoração para o Natal. ‘‘Não adianta montar a árvore só por 20 dias, tem que aproveitar mais’’, afirma. Seu marido, José Júnior, diverte-se com a empolgação da companheira: ‘‘A gente gasta mais com decoração do que com os presentes’’. O casal mora próximo à Casa dos Bonecos, em Santa Felicidade, que desde o final de agosto já tem a decoração natalina pronta para clientes que queiram se antecipar. ‘‘Não gosto de deixar as coisas para a última hora’’, justifica Guilhermina.
  A Casa dos Bonecos muda de feição três vezes ao longo do ano. De janeiro até abril, a decoração tem como tema a Páscoa. De agosto a dezembro, o Natal, e durante o resto do ano comercializa presentes em geral. Segundo Lúcio Flávio, funcionário administrativo da loja, o investimento na decoração de fim de ano é muito maior do que nas outras épocas, bem como as vendas. ‘‘Chega a ser o dobro da Páscoa’’, compara. Para atender tamanha demanda, o número de funcionários da Casa chega a triplicar nessa época do ano. O mesmo ocorre na Santa Claus, que contrata cinco pessoas a mais para dar conta de fregueses como a dona Anita, que aguardam ansiosamente pela chegada de setembro.
  Segundo a proprietária da Santa Claus, Valéria Marchioro, o consumidor dessa época é um pouco diferente do normal. ‘‘Eles querem saber de novidade e exclusividade.’’ Com 15 anos de tradição em produtos natalinos, a loja já cativou um público fiel. ‘‘O pessoal já se programou para comprar antes’’, conta a proprietária. Segundo ela, mais de três meses antes do Natal, já havia encomendas de produtos de decoração. Para este ano, a previsão é um aumento de 15% no volume de vendas em relação ao ano passado. ‘‘Todo ano cresce (o movimento) um pouquinho mais’’, comemora Valéria.
  Em ambas as lojas, existe a procura tanto de pessoas físicas quanto de empresas que compram esses produtos para revender. A elevada procura prévia desses produtos faz com que alguns se esgotem antes de dezembro chegar. Segundo Guilhermina, essa é uma boa notícia para quem não gosta de encontrar itens repetidos. ‘‘Todo ano têm coisas novas’’, observa.

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