NASCER DE NOVO - Transplante reacende chama da esperança
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sábado, 15 de setembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
''Nasci no dia 28 de agosto de 2007.'' A frase, que soa estranha quando sai da boca de um senhor de 47 anos, é a expressão do sentimento do aposentado Fabiano Dias de Souza, que pouco tempo atrás mal conseguia tomar um banho sem a ajuda da mulher, e agora - com um novo coração batendo em seu peito - ganhou uma nova oportunidade de viver.
No dia que considera como sua segunda data de nascimento, ele se tornou o 35º transplantado cardíaco de Londrina. Mineiro da cidade de Capelinha, do tipo que fala manso e gosta de uma boa prosa, Souza ficou sabendo em 1984, quando foi fazer um exame médico para ser contratado como operário de uma fábrica de panelas, que tinha um ''probleminha'' no coração.
Na linguagem científica, o tal ''probleminha'' era, na verdade, uma cardiomiopatia idiopática, que é o nome dado pelos médicos para as cardiopatias sem causa definida. Em outras palavras, o coração de Fabiano estava dilatado e não conseguia fazer com perfeição o seu papel de bombear sangue para todo o corpo.
Pouco tempo depois, ele deixou para trás as panelas e foi trabalhar como motorista de ônibus de transporte coletivo no agitado trânsito de São Paulo. E foi ao volante, conduzindo 150 passageiros, nove anos após saber que tinha um problema cardíaco, que sentiu pela primeira vez os sintomas de sua doença. ''De repente, me deu uma falta de ar e uma canseira'', recorda-se.
Em 1997, o médico da empresa de transportes onde Souza trabalhava lhe disse que era o fim da linha para seus dias de labuta, ele seria aposentado precocemente. O coração do mineiro bom de conversa dava sinais de que poderia sofrer um mal súbito.
Aconselhado pelo médico, ele trocou a agitação do ABC paulista onde morava pela tranquilidade da paranaense Florestópolis (73 km ao norte de Londrina). Em 2004 mudou-se para Londrina. ''Precisava de consultas médicas constantemente e todas eram aqui, então resolvi vir para cá. Das várias cidades que passei em minha vida, essa foi a que melhor me acolheu'', destaca.
Conforme passava o tempo, o problema de Fabiano se agravava. A falta de ar era o sintoma que mais o incomodava. ''Mesmo em dias de muito frio ele tinha de dormir com o ventilador ligado para não se sentir sufocado'', lembra a esposa Cícera Dias de Souza. O tratamento com os remédios já não apresentava resultados. A única solução seria o transplante.
''Fiquei sabendo que só o transplante podia me salvar em janeiro de 2005. Estava sofrendo tanto que nem senti medo'', conta Souza. Nos 32 meses que ficou esperando por um órgão, a vida do motorista aposentado foi marcada pela ansiedade. Cada vez que o telefone tocava, o coração doente batia mais acelerado e angustiado.
Até que às 16h30 do dia 28 de agosto o telefonema tão aguardado aconteceu. Agora, de coração novo no peito, ele diz que ainda ''não caiu a ficha.'' Questionado sobre como vai ser poder tomar banho sozinho e não sentir falta de ar a todo momento, Souza argumenta que ainda precisa de tempo para pensar nesse assunto. ''Nem acredito que tudo tenha dado tão certo para mim. Estou feliz demais. Só peço que você escreva aí que, apesar de eu não conhecer quem doou o coração para mim, estou muito agradecido e pedindo a Deus que ilumine essa pessoa e sua família. Muito obrigado.''


