NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de maio de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
É sabido que Oscar Niemeyer odeia o capitalismo e odeia o ângulo reto, resumiu o escritor uruguaio Eduardo Galeano, uma das personalidades que depõem sobre o arquiteto brasileiro no documentário Oscar Niemeyer: a vida é um sopro (90 min.), recentemente levado às telonas do País, apesar das gravações terem começado lá pelo verão de 1998. Simples e bem feitinho, a estrutura do roteiro se sustenta em dois eixos. O principal se concentra nas entrevistas concedidas pelo próprio Niemeyer ao documentário. São relatos - às vezes fazendo uso dos famosos croquis - de como pensou e elaborou seus projetos arquitetônicos. Entre uma explicação e outra, um Niemeyer generoso, já que tão acostumado (e um pouco cansado, ele mesmo admite) a falar de arquitetura.
O outro eixo do documentário recorre aos depoimentos - a maior parte homenagens. Além de Galeano, estão lá o escritor português José Saramago, o compositor Chico Buarque, o historiador britânico Eric Hobsbawn. Nomes com autoridade (e intimidade, em alguns casos) para falar tanto de Niemeyer quanto de sua obra.
Se engana, aliás, quem acha que o arquiteto se separa do homem - impropério que a direção do filme não cometeu, ainda bem. Ao que tudo consta, e o documentário reforça, Niemeyer sempre tem certeza sobre o que propõe ao espaço. A mesma certeza - carimbada quando optou pelo comunismo - que ele tem em relação ao que pensa da vida e dos homens. Saramago, aliás, é quem fala da coerência do arquiteto: Eu creio que é uma pessoa que está em paz consigo mesma.
Niemeyer, de fato, nunca se perdeu durante seus quase 100 anos de vida - idade que completa em dezembro. Vale observar que, talvez por isso mesmo, por ter tanta certeza assim das coisas, Niemeyer não gosta lá muito das críticas. Gente besta dizendo besteira, ele dá a entender nas entrevistas que concedeu ao filme.
Entre um falatório e outro, o filme se preocupa em exibir imagens (algumas ficaram um tanto poéticas) de Brasília e das obras do arquiteto mundo afora, incluindo o Museu Oscar Niemeyer (o Museu do Olho), de Curitiba, pronto no final de 2002. Também tem imagens de arquivos preciosos de meados do século XX.
Apesar dos resgates importantes que o documentário faz, trata-se essencialmente (e não há problemas nisso) de uma simples homenagem ao arquiteto obcecado pelos traços modernos (e pelas curvas femininas, como ele mesmo ressalta no filme) e cuja obra nós, leigos, reconhecemos sempre em qualquer parte do mundo, sem dificuldade.
SERVIÇO
- O documentário está sendo exibido nas salas de cinema do Unibanco Arteplex, no Shopping Crystal, às 16h30 e 18h10, todos os dias. Também pode ser visto no espaço dedicado ao arquiteto no Museu Oscar Niemeyer.


