NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de março de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
O historiador Heródoto descreveu que no verão de 480 a.C. o rei Leônidas I reuniu 300 guerreiros espartanos, que, junto de pouco mais de 7 mil homens de cidades-Estado aliadas, conseguiram impedir o avanço do descomunal Império Persa, por dias, nos desfiladeiros de Termópilas. Esse episódio ficou conhecido como a Batalha de Termópilas, de onde o quadrinista Frank Miller tirou suas idéias para criar uma história de fantasia, honra e coragem. Batizado de 300, os quadrinhos viraram filme e chegam agora aos cinemas brasileiros.
300 é extremamente fiel aos quadrinhos de Miller, inclusive nos ângulos, na narrativa, na velocidade, na violência, nas cores. O trabalho da colorista Lynn Varley, esposa de Miller, foi levada ao extremo no cinema digital do diretor de Zack Snyder: o cineasta usou a mesma paleta e montou um cenário tão belo quanto improvável, impressionante, diferente de tudo o que já foi feito.
Para quem já leu a revista várias vezes, sempre há uma surpresa no filme. Isso porque Snyder buscou um roteiro que ampliasse a história de Miller, sob a bênção do próprio autor. E é isso que acontece. A Batalha de Termópilas ganha em romance, intriga e dramaticidade. E, especialmente, em sequências de ação de tirar o fôlego, afinal de contas, os espartanos não levam fama de melhores guerreiros à tôa.
Ah, sim, o público brasileiro também tem um bônus: Rodrigo Santoro ficou com quase três metros de altura e voz de Darth Vader - coisas do cinema digital - e vai bem como uma figura andrógina, excêntrica, arrogante e assustadora, assim como teria sido o rei-deus persa Xerxes.


