O período que vai do final de nosso Carnaval e do Oscar norte-americano até o início das férias escolares estadunidenses, a partir de maio, é conhecido pelo marasmo e pela falta dos blockbusters entre os lançamentos hollywoodianos. Terreno fértil para comédias românticas açucaradas como Letra e Música, mais uma daquelas histórias com Hugh Grant, só que dessa vez com um certo charme saudosista para quem viveu os anos 80.
Alex Fletcher, interpretado por Grant, é um astro decadente da música pop oitentista, no melhor (ou pior) estilo de George Michael do auge da breguice -coloque aí mullets, camisas coloridas com ombreiras de Miami Vice/Didi Mocó, faixas nos cabelos, calças apertadas e adereços kitsch, e por aí vai. O artista recebe proposta de compor nova canção para a diva adolescente do momento, Cora Corman (Halley Bennet). Só que Fletcher não sabe escrever letras para músicas e para cumprir sua tarefa ganha a ajuda inusitada de sua então jardineira, Sophie Fisher (Drew Barrymore).
A música e a química do casal protagonista funcionam como fios condutores do romance, que conta também com momentos hilários de crítica ao estilo brega dos anos 80, a exemplo do clipe com ''elementos de época''. Muitos clichês do gênero, o que significa segurança para uma audiência que busca exatamente isso: drama e comédia com final feliz.

mockup