NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
A temporada de corrida ao Oscar começou já há algum tempo e no Brasil os filmes que concorrem a próxima edição estão por aí nos cinemas. A Conquista da Honra, de Clint Eastwood, não é o favorito e está mais para um prelúdio para Cartas de Iwo Jima, esse sim na disputa pela estatueta.
A Conquista da Honra discorre sobre a manipulação da mídia em tempos de guerra, a criação do herói, a ética, a crença de um povo em seus líderes e a motivação dos mesmos, diluída no sentimento de cada um dos soldados que vai para a guerra. Narra, acima de tudo, até onde vai o patriotismo dos cidadãos e dos próprios ''peões'' no campo de batalha.
A história explora o famoso episódio da Guerra do Pacífico em que cinco fuzileiros estadunidenses foram registrados enquanto erguiam a bandeira dos Estados Unidos no topo do Monte Suribachi, em meio à batalha de Iwo Jima, ilha isolada que serviu de palco para o confronto. Os três sobreviventes do ''grupo da foto'', voltam ao solo norte-americano e são tratados como heróis. Mas não exatamente como os heróis que eles foram ou gostariam de ser.
A mão de Clint Eastwood anda boa e certeira nos últimos anos, com aquele olhar crítico e sensível das produções anteriores - a exemplo de Menina de Ouro (2004) ou As Pontes de Madison (1995). A pretensão, no entanto, parece ter aumentado, assim como a pieguice, uma possível influência do produtor Steven Spielberg, e isso pode incomodar um pouco parte da audiência. Certo mesmo é que Cartas de Iwo Jima, que explora a visão nipônica do mesmo episódio, soa muito mais interessante.


