NAS TELONAS - De Niro volta a dirigir em O Bom Pastor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Robert De Niro está de volta à direção, quatorze anos após estrear no comando do longa Desafio no Bronx. Desta vez, o ator consagrado em Taxi Driver explora a misteriosa e conturbada história da criação da Agência Central de Inteligência norte-americana, a CIA, em O Bom Pastor. Interessante, porém muito cadenciado para quem procura cinema-pipoca de ressaca pós-Carnaval.
O Bom Pastor é projeto antigo que chegou a passar pelas mãos de Francis Ford Coppola e demorou a engrenar, devido a divergências entre estúdios, assunto polêmico e dificuldade em levantar a verba. Pra dificultar, Leonardo Di Caprio, que seria o protagonista, desistiu do longa e o filme demorou ainda mais para sair do papel.
Em O Bom Pastor, Matt Damon vive um aplicado estudante de Yale, Edward Wilson, que é recrutado nos anos 40 por uma sociedade secreta, Skull and Bones, responsável por apontar ''soldados'' para o então crescente Escritório de Serviços Estratégicos, precursor da CIA. A partir daí, o jovem descobre o que é pagar o preço por ser um espião.
Para alavancar o interesse do público e as cifras na estréia, a produção executiva escalou um time pra lá de conhecido do grande público, como Angelina Jolie, William Hurt, Alec Baldwin, Joe Pesci, John Turturro e o próprio De Niro.
O resultado é um projeto que se mostra ambicioso e vigoroso no início, mas que vai se esfacelando no decorrer da projeção, muito extensa - são 167 minutos - para nosso período de volta das férias. Ainda que o tema seja interessante, a sensação é de que o filme emula a cadência de um livro, o que pode causar sonolência nos espectadores sedentos por tiros e explosões.


