Nas ruas, críticas, elogio e preconceito
Você trabalha no sol, na chuva, voluntariamente. E mesmo assim não tem reconhecimento. O desabafo é de Cleberson Ferreira, um dos flanelinhas cadastrados no Boqueirão. Segundo ele, a maioria dos cuidadores é honesta, mas sofre com os problemas causados por uma minoria. A gente enfrenta muita hostilidade, muito xingamento e grosseria, lamenta.
Se a situação é complicada para quem está cadastrado, piora ainda mais para quem não tem nenhuma identificação. Trabalhando no Batel há três meses, Junior Vieira diz que já passou por várias situações difícieis. Às vezes você se aproxima do carro e a pessoa já xinga sem você falar nada, reclama.
Para o estudante Fernando Siqueira, isso ocorre pelos maus serviços prestados. Você mal estaciona o carro e eles já vêm na janela. Sem falar naqueles que querem que você pague adiantado. Aí você paga e quando volta no meio da noite ele já foi embora faz tempo, nem cuidou de nada, critica.
A secretária Suelen Garcia endossa as reclamações e diz que já foi vítima do que ela chama de enganação dos flanelinhas. Estacionei num bar no Juvevê, o cara me fez pagar R$ 4 e quando voltei tinham roubado meu som. Senti muita indignação e raiva, recorda.
Mas há quem já tenha sido beneficiado pela presença de um cuidador de carros. O estudante Adriano Silveira teve o carro atingido por um outro, enquanto estava trabalhando. O motorista fugiu e o flanelinha que estava na quadra anotou a placa do carro, entregando ao cliente no final do dia. É um cara que está sempre no mesmo lugar, então pega confiança de quem trabalha na região, além de ser sério. Acho que cuidadores como ele que devem prevalecer se for feito um cadastro em toda a cidade, analisa. (M.M.)





