Não toque, grite!
Embora rejeite o título de exemplo de independência - ''não faço nada demais'' - , Flávio Hermany pode ser considerado, no mínimo, uma pessoa absolutamente otimista e persistente. Morador do Pilarzinho, embarca em quatro ônibus por dia para ir e voltar do trabalho. Nos finais de semana, vai à cidade de São Leopoldo (RS), onde leciona na pós-graduação de educação especial.
Pouca coisa o incomoda, garante. Uma delas, porém, está, paradoxalmente, relacionada ao tato. Se, por um lado, o toque é o que dá sentido à sua vida, ser tocado pode se transformar em problema.
Muita gente, tentando ser solidária, acaba pegando no ombro ou no braço de um deficiente visual que está caminhando e se prepara para atravessar uma rua ou entrar em uma estação de ônibus. Mais do que ajudar, essa atitude pode causar sustos.
''É claro que a maioria faz isso para ajudar, mas a gente se asssusta. Não sabe quem está pegando no nosso braço. O ideal é não tocar o deficiente visual antes de avisar. Se perceber que ele vai se machucar, o melhor é gritar 'pare!' e depois se aproximar'', ensina Hermany. (L.X.)





