Não tenho sonhos
Foz do Iguaçu - Franzino, o menino que aguarda para prestar esclarecimentos ao delegado do adolescente de Foz, Richard Lolli, não parece ter os 16 anos que constam em sua ficha. Não é a primeira vez que é apreendido. Já esteve internado no Centro de Sócio-Educação (Cense) duas vezes, por porte de arma e roubo.
Desta vez, foi levado à delegacia por agredir, junto do irmão, de 17 anos, uma tia, e por cultivar um pé de maconha em casa. O mais velho conta que pensa em estudar e diz que não quer se envolver com o crime. Porém, o garoto de 16 anos prefere dizer que é do crime e no crime quer ficar. Questionado sobre quais seriam seus sonhos para o futuro, apenas responde que não tem sonhos e fica em silêncio, sem dizer mais nada.
''Os adolescentes estão envolvidos em atos infracionais como vítimas ou como autores. Todos os meses, fazemos mais de 100 procedimentos de atos infracionais. Muitos são usuários de drogas e furtam ou roubam para sustentar o vício. Outros trabalham para o tráfico. Em torno de 40% dos adolescentes que apreendemos portam armas. Já encontramos um garoto com um fuzil 762 e um outro com uma metralhadora. Sabemos que é uma situação complexa e estamos empenhados, mas também sabemos que se trata de um grave caso de desigualdade social e que toda a sociedade deve se empenhar para resolver, não só a polícia'', destaca o delegado Lolli. (W.S.)
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