Com 46 anos de idade e 30 de Exército, o tenente-coronel Antônio Manoel de Barros é o comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Cabe a ele coordenar os cursos de operações na selva oferecidos a oficiais e sargentos do Exército e os diversos estágios para outras instituições que buscam conhecimento no Cigs. Precursor das avaliações psicológicas e pedagógicas no Cigs, em entrevista à FOLHA, ele falou sobre o trabalho.

O senhor prepara recursos humanos para defender a Amazônia. O fato de os equipamentos e o contigente do Exército na região deixarem a desejar lhe causa frustração?
Não. Apesar de não ter todos os equipamentos que sonho, tenho tudo que a força pode oferecer. Como soldado, aprendemos a trabalhar com o que temos, mas não o que gostaríamos de ter.

Sobre as mortes que aconteceram durante os cursos de operações na selva de 2006 e 2007, podemos dizer que os alunos foram exigidos em excesso?
Começamos o curso em 1966. De lá para cá, foram formados mais de 4,5 mil guerreiros de selva e ocorreram dez mortes. Na verdade o Exército não admite nenhuma morte. Tudo será apurado e responsabilizado. Mas estamos falando de um curso que não é só a atividade física. As condições do meio ambiente são muito agressivas. Basta entrar na selva, principalmente quem não é daqui, para começar a transpirar e a passar mal. Cada organismo reage de um jeito. Por isso falamos que as condições de selva merecem pesquisas. Sobre a rabdomiólise, que acontece por aqui, precisamos identificar exatamente as causas. Infelizmente, só as mortes são comentadas, mas não se fala das inúmeras vezes em que acidentes são evitados. O aluno, em diversas ocasiões, é inconsequente. Com a intenção de cumprir bem uma tarefa e pelo seu brio profissional, vai além do limite. Várias vezes tivemos que desligar alunos por problemas de saúde.

O que vocês esperam dos guerreiros de selva que formam?
Não queremos ''super-homens''. Buscamos um profissional habilitado para as suas atividades na Amazônia, ciente de suas limitações e também de suas possibilidades, mas com todas as característica de que um militar na selva tem que ter: autoconfiança, persistência, equilíbrio emocional, liderança. São atributos necessários porque ele vai estar no meio do nada e pessoas vão depender dele. (W.S.)

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