Nathalia Ostachuk Galan, 88, chegou menina, aos 14 anos, à Colônia Nova Ucrânia, em Apucarana. Com o pai, Leonardo Ostachuk, fez de cavalo o tortuoso trajeto entre Cândido Abreu, no Centro do Paraná, até a nova terra, onde serviria de cozinheira para o pai. A mãe e os irmãos viriam mais tarde, com a moça ficando sozinha em um rancho de palmito em uma clareira aberta na mata enquanto o patriarca buscava o restante do clã.
Naquele tempo, ela relata, ‘‘Apucarana era uma pequena vila dotada de apenas uma venda’’. ‘‘Rapidamente, a colônia se uniu e se fortaleceu. Falava-se pouco português e muito ucraniano. Todos se ajudavam. Havia uma boa fraternidade. A igreja e o cemitério foram feitos comunitariamente. Meu pai foi o primeiro presidente das duas instituições’’, rememora a pioneira, de boa memória.
E por falar na igreja, foi nas celebrações que ela conheceu o marido, Waldomiro, morto em 1999. Do casamento, nasceram os cinco filhos - quatro mulheres e um homem. Todos ajudaram muito na labuta das roças de café, com o dinheiro ganho à base da enxada. Nada era mecanizado.
Em 1964 a família parou com o café e começou com os cereais. Hoje, o milho predomina. Além da família, também vivem no sítio sete vaquinhas de leite, porcos, galinhas, cachorros e um pequeno cafezal, para que Nathalia e os seus tenham sempre cafezinho fresco.
Da janela, veem uma mata de dois alqueires e respiram ar fresco. Seguem, como boas ortodoxas, o calendário Juliano - o natal é no dia 7 de janeiro e o Ano-Novo dia 14. Nathalia não quer deixar a zona rural. Acha que na cidade tem muito barulho. ‘‘Vi Apucarana nascer. Não imaginava que esta cidade ficaria tão grande.’’

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