Não imaginava que 53 anos depois seria exportador
Quando chegou a Londrina em 1951, aos oito anos, Lesus Paulo e Silva nem pensava que um dia estaria fazendo planos para exportar café orgânico para o continente Europeu. Como ele mesmo definiu, nunca é tarde para começar alguma coisa. Hoje com 60 anos e ajuda de dois, dos nove filhos que teve, ele reaprende a manejar o café. Deixamos o mato para que os bichinhos comam e não ataquem o cafezal, explicou com didática.
Mineiro, Silva veio com a família no rastro de um dos 12 irmãos que chegou na frente, gostou e fez a propaganda do lugar. Depois de serem empregados formando a plantação de café em quatro fazendas na região, a família comprou uma terra no que é hoje o distrito de Lerroville.
Simpático e hospitaleiro, Silva parou a colheita do café para, orgulhoso, junto com os dois filhos que o ajudam na roça, mostrar o sítio. Ele mencionou que no início o café era produzido sem venenos. Foi depois de 1975 que começamos a usar os produtos químicos. Agora estamos tentamdo gerenciar o mato e não trabalhar com venenos, enfatizou. Além de produzir os grãos, Silva seca o café em um terreiro. A responsabilidade de virar os grãos fica com a esposa dele, Maria de Lurdes Vieira e Silva, uma imigrante que veio de Minas Gerais em 1953. Maria também é responsável pela alimentação da família e conta que compra no mercado da cidade apenas açúcar e sal o resto é tudo produzido na propriedade.
Os dois filhos de Silva que, atualmente, moram no sítio já experimentaram a ilusão da cidade grande e não gostaram, os outros cinco partiram e não voltaram mais. Durante três anos trabalhei como cobrador de ônibus, mas resolvi volta às raizes, admitiu Sérgio Viera e Silva, 29 anos. O irmão dele, Mauro Vieira e Silva, 34 anos, morou por um ano e meio na cidade, entretanto, também não se adaptou. Em todo o lugar tem altos e baixos. Na cidade o funcionário tem o salário todo mês, férias e 13º, mas também tem o patrão que fica mandando, argumentou.
Foram esses dois filhos de Silva que decidiram convencer o pai a abandonar os venenos e investir no café orgânico. A roça que um dia foi mato, teve café tratado com venenos, agora, com 14 mil pés de café a produção ruma para o garantido mercado consumidor na França. Vamos vender para a Europa porque o Brasil não tem mercado para o nosso café, concluiu Mauro. (J.W.)





