Não há memória que suporte tanta informação e estresse
São Paulo- Obrigados a assimilar a cada dia uma quantidade de dados tamanha que, na Idade Média, eram suficientes para uma vida inteira, homens e mulheres contemporâneos se tornaram vítimas da síndrome do excesso de informação, o que provoca um acentuado desgaste físico e mental. Isto explica as queixas cada vez mais freqüentes de falhas de memória. Hoje é muito comum as pessoas não lembrarem de nomes, onde deixaram objetos como a chave do carro ou o celular, datas importantes como aniversários de familiares e amigos, ou mesmo que já tenham contado aquela história para a mesma pessoa várias vezes.
Diante disso, os comentários são inevitáveis: Você está perdendo a memória, está muito esquecido. Ou só não esquece a cabeça porque está grudada, você está caducando. Algumas vezes, esses comentários são motivo de piada e risos, mas às vezes somam uma certa preocupação, sobretudo para pessoas muito exigentes consigo mesmas, observa a psicóloga Denise Mendonça de Melo, de Juiz de Fora (MG), no artigo Como melhorar seu potencial cerebral, escrito para o site Viver Bem (www.acessa.com/viver).
Os esquecimentos normalmente são de fatos recentes. Lembranças de fatos ocorridos há muito tempo, sobretudo na infância, se mantém preservadas na memória. Questionado sobre as razões disto acontecer, Freitag afirma: Nas crianças, o cérebro é praticamente virgem de informações, o que explica o porque delas guardarem as coisas com tanta facilidade. Nos adultos, esta estrutura já está bastante sobrecarregada e por isso é importante exercitá-la para ampliar a capacidade de memorização.
Ansiedade é igualmente outra situação que traz prejuízos para o cérebro. A aflição em querer chegar pontualmente a um compromisso, em tentar resolver de imediato um problema difícil, por exemplo, descarrega no organismo uma quantidade exagerada de cortisol e adrenalina, os hormônios do estresse, que têm a função de preparar o corpo para reagir numa situação imprevista. Entende-se por estresse o esforço que o organismo faz para se adaptar a condições que contrariam sua natureza e seu equilíbrio, que provocam mal-estar ou sofrimento.
O cérebro precisa ter seu ritmo respeitado, advertem os especialistas. Descanso é fundamental para a massa cinzenta e a melhor maneira de fazer isso é dormir. Obedecer o período de sono exigido pelo organismo à noite e fazer pequenas pausas durante o dia, na medida do possível, são dicas infalíveis para que o cérebro se acalme e possa se recompor para receber e arquivar novas informações com muito mais facilidade. Comparando o cérebro a um computador, é o mesmo que dar um boot na máquina.(M.P/A.E)
SAIBA MAIS
O que causa falhas de memória
1.- Informação em excesso. Somos iguais a um computador: muita coisa arquivada no disco rígido (HD) faz a máquina não funcionar direito ou parar de vez.
2.- Estresse e ansiedade. Nessas situações, o organismo recebe uma descarga em excesso de adrenalina e cortisol, o que prejudica a formação das conexões entre os neurônios (sinapse).
3.- Depressão. São várias as causas que levam a um estado de tristeza profunda e contínua. Uma delas é a lembrança de pessoas e/ou situações que a pessoa faz força para esquecer. Ao tentar apagar estes fatos da memória, outros registros importantes vão sendo eliminados.
4.- Bebidas alcoólicas. O cérebro de quem bebe 40 ml de álcool por dia - três copos de uísque, por exemplo - realiza as sinapses de maneira cada vez lenta. Eliminado o consumo em excesso, o processo se reverte.
5.- Hipertensão. Pressão alta dificulta a irrigação sangüínea na região cerebral. As ligações entre as células nervosas ocorrem de maneira descoordenada.
*SERVIÇO
Dr. Luiz Freitag, geriatra: e-mail: [email protected]
Denise Mendonça de Melo: e-mail: [email protected]





