Não existe perfil de grandes criminosos
Não existe um perfil para os acusados em grandes desvios de produtos ou recursos. Eles podem ter as idades mais variadas, os comportamentos menos suspeitos, os costumes mais corriqueiros. É exatamente isso o que assusta a vendedora Maria da Luz, de 29 anos. ''Não tem como saber quem comete pequenos crimes, como furtos. Imagine os grandes traficantes, os empresários do crime. Não tem como não sentir medo de estar convivendo com uma pessoa assim. Não existe como identificar previamente esse tipo de criminoso. Mesmo que ficássemos observando como ele age, não teríamos tempo de ver se algo estava realmente errado. A vida da gente é sempre muito corrida'', exemplificou.
O assessor sindical Adilson Aparecido Moraes, de 33 anos, também não sabe como analisar e identificar os possíveis criminosos. ''Não tem como imaginar apenas pela fisionomia ou pelos traços da pessoa. Isso seria discriminação apenas. Não dá para ser detetive todo o dia. E nem tem como ser assim. Senão daqui a pouco vão dizer que os negros, que vestem calção e boné são os suspeitos e devem ser observados -quando podem ser os brancos com terno e gravato. A sociedade tem que se livrar dos estereótipos que não levam a nada'', ponderou o sindicalista.
Operações semelhantes foram feitas em vários pontos de Curitiba. A Pharmako, por exemplo, prendeu 16 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que teria desviado R$ 30 milhões em arrecadações através de duas organizações não-governamentais (ongs) de apoio a pessoas com câncer. As prisões foram feitas em bairros nobres como Cabral, Bigorrilho e Jardim das Américas. (L.P.)





