Não existe idade para viver um grande amor
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sábado, 11 de junho de 2005
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Os poetas tentaram decifrar. Os compositores criaram incontáveis canções para descrevê-lo. Todo mundo fala e dá palpites, porém, só quem já passou pela situação realmente conhece e admite que o amor é inexplicável. Sentimento intruso, ele não respeita a sua agenda cheia e simplesmente se instala entre os seus compromissos. Inunda sua alma de felicidade. Obriga você a tomar atitudes que considera racionalmente ridículas. Mas para que falar em razão quando é a emoção que toma conta das ações.
Definitivamente as pessoas não decidem a hora de encontrar um amor. Não vale você acordar pela manhã, olhar no espelho e definir que naquele dia encontrará o amor. Uma decisão simplória como se fosse olhar no espelho e resolver cortar o cabelo ou deixar a barba crescer. Ele aparece sem que você esteja perfumado e com a melhor roupa, cheio de bom humor ou com as melhores notas na faculdade. Ele surge mesmo que o primero beijo ocorra depois de fatos nada românticos como uma pisada no pé como aconteceu com os estudantes Carina Macedo Kato, 22 anos, e Juliano Yutaka Kato, 26.
De acordo com a professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jocelaine Martins da Silveira, existem duas teorias que explicam porque as pessas formam pares. Uma delas diz que a atração acontece por existirem pontos em comum entre o homem e a mulher. A outra teoria diz exatamente o contrário: são as diferenças que unem os casais. Segundo ela, as pessoas envolvidas em uma relação avaliam o quanto é vantajoso para elas ficarem juntas convivendo com as semelhanças e diferenças do outro.
Segundo Jocelaine, o fundamental na manutenção de um relacionamento é a pessoa saber cuidar e saber-se fazer cuidar. ''Para a relação ser funcional a pessoa precisa saber oferecer ao parceiro exatamente o que ele quer na hora que ele precisa'', esclarece. Para que isso seja possível, ela recomenda diálogo e respeito entre o par, visto que, com o passar do tempo, o casal precisa adaptar-se às novas situações que são diferentes do início da relação no qual os dois sentiram prazer em estarem juntos.
Outro alerta feito por Jocelaine relaciona-se às formas das pessoas demonstrarem o amor que sentem. ''Por vezes as pessoas compram um presente. Mas não era isso realmente que a outra pessoa queria, ela estava precisando conversar, por exemplo. Outro problema é que as pessoas devem mostrar ao parceiro o que estão precisando realmente e não esperarem que o outro adivinhe'', completa.
''O romantismo não é mais mesmo depois de quase 60 anos juntos'', afirma Ailza Vieira Kley, 73 anos, ''mas ainda dividimos a cama de casal'', completa rindo Aymoré Kley, 82. Para assegurar a sintonia, o casal revela que há muito respeito e companheirismo. ''Somos muito amigos. Não planejamos muito a vida, mas sempre há diálogo'', afirma ele.
Conversa também faz parte da rotina do o casal Pedro Henrique Arruda Aragão, 50 anos, e Heliete Aragão, 50, após 33 anos de convivência, sendo cinco de namoro e 28 de casamento. ''Nunca passamos mais de 24 horas chateados um com o outro'', diz Heliete. ''A pessoa precisa querer que de certo. Ser feliz é simples. As pessoas não podem complicar os problemas'', opina Aragão.
Os olhares do casal Juliano e Carina comprova a cumplicidade entre o jovem par. Juliano conta que não precisa de motivo para fazer afagos e demonstrações de carinho. Segundo ela, também não há problemas quanto à divisão de tarefas e auxílio mútuo. ''Temos muitas diferenças mas existe respeito e negociação. Sempre tentamos encontrar um ponto em comum'', afirma Juliano.
Por fim, para aquela parcela de pessoas que ainda não encontrou um par Joceliane alerta que ninguém deverá entrar em uma relação somente para mostrar para a sociedade que possui uma. ''As pessoas devem avaliar o quanto pretendem investir no relacionamento. É provável que quem entrar em uma relação morta irá sofrer'', declara. Afinal, como já disse Mário Quintana em um de seus poemas mais famosos: ''O amor é como uma borboleta, por mais que tente pegá-la, ela fugirá. Mas quando menos esperar, ela estará ali do seu lado.'' (O Amor).


