Não dá para controlar tudo, diz psicopedagoga
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Rafael Costa <BR> Reportagem Local 
Um dos critérios que pesaram na decisão do sound designer e professor de cinema da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) Demian Garcia foi o fato de a escola em que acabou matriculando filho Tom, de 1 ano e 5 meses, não servir alimentos com açúcar para as crianças, além de oferecer opções de cardápio sem carne. "A conversa sobre alimentação foi muito esclarecedora", contou Garcia, que precisou fazer a escolha à distância, enquanto concluía um doutorado na França, antes de retornar a Curitiba.

Os valores e filosofias das instituições são aspectos fundamentais para nortear a decisão pela escola dos filhos, e não devem ser contraditórios em relação aos princípios da família. Isso não significa, no entanto, que será possível controlar absolutamente tudo, diz Simone Carlberg, presidente da Seção Paraná da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia).
Segundo a psicopedagoga, os pais devem compreender que matricular os filhos na escola significa colocá-los para dialogar com o mundo.
"[Coloca-se as crianças] na escola para aprender a conviver, a coexistir. E há coisas que não são do seu domínio. Não adianta colocar câmeras para ver o que seu filho está fazendo na sala de aula", diz.
A pedagoga e psicopedagoga Evelise Portilho reforça essa ideia explicando que possivelmente os pais não encontrarão uma escola que representará uma "continuidade da família", por exemplo. E, mesmo que uma instituição assim exista, não deve ser necessariamente o objetivo dos pais, já que escola e família são instituições diferentes. "Elas têm de ser complementares", diz.
LEIA TAMBÉM
-Desafios da adaptação escolar
-De bem com a lancheira
Evelise diz que há, sim, fatores eliminatórios, como a questão religiosa, que pode e deve ser considerada por famílias que não querem este tipo de educação para os filhos. Mas ela lembra que não existe escola "perfeita".
"Não existe escola boa para todo mundo", explica. "Ninguém aprende do mesmo jeito." (R.C.)


