Assim como em Curitiba salsicha é mais conhecida por vina, palavra adaptada do alemão ''winawurst'', a adoção de palavras estrangeiras se dá pelo hábito. E é ao hábito que o gerente comercial de uma loja de móveis, Vitor Barausse, atribui o uso de expressões estrangeiras no cartaz na fachada de seu estabelecimento.
''É tão usado que a gente acaba seguindo. O público está acostumado. Não é necessariamente um bom hábito. Quando se trabalha com produtos de luxo a gente quer dizer que é preço bom mas não que é promoção. É uma maneira de enganar a si mesmo de certa forma'', admite Barausse.
A aposentada Diva Gualdessi, de 67 anos, diz que já acostumou a ver expressões estrangeiras por toda a parte mas prefere quando pode ler em português. ''Sou contra porque muita gente não entende. Se estamos no Brasil então por que não escrever em português? Com o tempo a pessoa vai se habituando mas não que ela saiba o significado daquilo'', afirma.
A pressão sobre a língua é uma das contribuições para o enriquecimento do idioma, lembra o escritor José Castello. ''São palavras que acabam entrando no dicionário. Temos muitas palavras que vieram do francês, do árabe, que já estão incorporadas. Não adianta colocar coleira ou mordaça. É isso que faz a riqueza de uma língua'', conclui Castello. (D.R.)

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