Não aderir às novidades gera alienação, diz médico
De acordo com o médico neurologista e psicoterapeuta Mário Negrão, existem duas classes de pessoas que têm oportunidade de acesso mas resistem à internet: os alheios, aqueles que não estão com vontade de se conectar, e os guardiões de valores, que não participam do mundo virtual por protesto contra as mudanças trazidas por ele. O primeiro grupo, em geral, se assusta com a tecnologia, acha difícil e resistem pelo excesso de informação que a internet traz. O segundo resiste em protesto contra mudanças como a morte da privacidade e da lógica da ordem do pensamento. ''Hoje há um novo tipo de pensar, com saltos aleatórios que as pessoas fazem ao utilizar a internet. Isso aumenta a potência de pensamento, mas sem um guia interno isso passa a destruir a capacidade de pensar'', explica Negrão. ''A interatividade é uma grande coisa quando se aprende a operar a disciplina interna. Caso contrário a pessoa passa a ver o mundo fraturado'', completa.
Para o psicoterapeuta, ainda que o processo seja gradual, é preciso adaptar-se pois não aderir às mudanças gera uma crescente alienação. ''Ele pode guardar a personalidade dele sim, mas precisa admitir o mínimo de conectividade. O ser humano odeia mudar mas você não deve formar sua personalidade em sua capacidade de teimar, de resistir bravamente a idéias novas'', recomenda.
Para quem ainda não se conectou por falta de oportunidade, programas de inclusão digital como o Computador para Todos e Casas Brasil já estão em funcionamento no País. De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2006 foram vendidos mais de 450 mil computadores pelo projeto Computador para Todos. Cada unidade do programa Casas Brasil inclui um laboratório de informática, com 20 computadores, sala multimídia e sala de leitura. Em Curitiba, uma delas está funcionando no bairro Tatuquara, Rua Antonio Zanon, 2.406. Outra está sendo finalizada na comunidade Xapinhal, no bairro Sítio Cercado, Rua Francisco José Lobo, 214. (D.R.)





