Nanicos usam pleito para tentar fortalecer partidos
Eles tiveram apenas 35 segundos no horário eleitoral, pouco dinheiro e quase nenhum espaço na imprensa, mas insistiram em participar da eleição presidencial na expectativa de fortalecer seus partidos. São os oito candidatos à Presidência que possuem menos de 1% nas pesquisas.
O jornalista Alfredo Sirkis, de 48 anos, é um legítimo representante da geração revolucionária de 68 na eleição presidencial. Ele lutou contra a ditadura militar e teve que sair do País em 71. Essa experiência foi contada no livro Os Carbonários, que inspirou a minissérie de televisão Anos Rebeldes. Sirkis começou sua carreira de jornalista no jornal Libération, em Paris.
Sirkis foi correspondente no Chile durante o golpe que derrubou Salvador Allende - e na Argentina. Anistiado em 79, ele voltou ao Brasil e se aproximou dos movimentos ecológicos, ajudando a fundar o Partido Verde (PV).
Aos 82 anos, o engenheiro civil Vasco de Azevedo Neto é o mais velho entre os pretendentes ao Planalto. Mineiro de Guaxupé, ele mora em Salvador (BA), onde é professor emérito da Universidade Federal da Bahia. Deputado federal por quatro mandatos nas décadas de 70 e 80, Vasco Neto está retornando à política para tentar fortalecer o Partido da Solidariedade Nacional (PSN), que hoje conta apenas com um deputado estadual em Minas e outro no Paraná.
O gaúcho José Maria Eymael é o candidato à Presidência que declarou o maior patrimônio junto ao TRE - R$ 1,377 milhão. Advogado especializado em Direito Tributário e empresário da área de marketing, ele se considera o único capaz de derrotar FHC. Eymael ingressou no Partido Democrata Cristão (PDC) em 1962. O partido foi extinto pela ditadura e refundado em 85, ano em que Eymael disputou a prefeitura de São Paulo. Em 86, ele estava entre os cinco deputados federais do PDC eleitos para a Assembléia Nacional Constituinte. Reeleito em 90, foi contra a fusão do partido com o PDS, que deu origem ao PPR e depois ao PPB. Defensor dos valores da família, Eymael fundou o Partido da Social Democracia Cristã (PSDC).
A dona de casa Thereza Ruiz é a única mulher na disputa pela Presidência. Secretária-geral do Partido Trabalhista Nacional (PTN), ela herdou a candidatura do presidente do partido, Dorival de Abreu, que dela abriu mão para concorrer a deputado federal por São Paulo. Nascida em 1º de junho de 54 na Penha, em São Paulo, ela é casada pela segunda vez e tem dois filhos.
O advogado Sérgio Bueno, de 50 anos, concorre à Presidência pelo Partido Social Cristão (PSC). Ex-procurador federal e ex-superintendente do INSS em São Paulo, ele poderia estar enquadrado entre aqueles que o presidente FHC chamou de vagabundos, porque se aposentou antes dos 50 anos de idade. Secretário-geral do PSC, Bueno foi por duas vezes candidato a vice-prefeito de São Paulo, 85 e 92, mas perdeu. (A.E.)





