Nade em águas tranquilas
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A maioria dos banhistas diz saber do perigo. A maioria deles afirma que presta atenção nas placas de alerta. Porém, mesmo assim, todos se julgam capazes de tomar cuidado suficiente para evitar acidentes. Esses são os argumentos que estão na ponta da língua dos veranistas que entram no mar em locais onde há placas de perigo ou em entrepostos (áreas que não têm a presença de salva-vidas).
Apesar da tranquilidade dos banhistas, o Corpo de Bombeiros alerta: desde o último dia 17 de dezembro até quinta-feira passada foram registradas cinco mortes por afogamento nas praias paranaenses, 597 salvamentos e cerca de 24,6 mil advertências ou orientações. No mesmo período de 2003/2004, apesar de o número de mortos ter diminuído em 20% (com uma morte a menos em 2004/2005), o número de salvamentos subiu em 21,3% (em 2003/2004 foi de 470) e o de orientações e advertências em 33,7% (em 2003/2004 foi de 16.319).
''Aqui sempre tem mesmo muito repuxo e buracos. Mas eu tomo cuidado. Eu sei nadar e nunca vou muito para o fundo'', conta o adolescente de 15 anos Eduardo Silva, de Maringá. Quando abordado pela reportagem da Folha na praia de Ipanema, Eduardo estava entrando no mar próximo a uma placa que indicava perigo. Mesmo o garoto afirmando que não correr risco nenhum, sua mãe, Selma Silva, estava o tempo todo de olho nele. ''Nessa história de saber nadar que mora o perigo'', comentou. ''Eu fico o tempo todo de olho e ele está na água com o meu cunhado junto. Nunca deixo entrar sem um adulto acompanhando.''
E os salva-vidas confirmam a afirmação da mãe de Eduardo: excesso de confiança nas habilidades aquáticas pode ser causa de acidentes no mar, já que a pessoa fica menos atenta aos perigos. ''No mar existem correntes que levam a água de volta para o oceano e buracos. E o mínimo de descuido pode causar um acidente. Nadar bem na piscina ou na infância não significa que vai conseguir superar as dificuldades do mar. Não tem bordas, perde-se o pé de uma hora para outra e as pessoas acabam se assustando'', explicou o tenente do Corpo de Bombeiros, Eduardo Gomes Pinheiro.
Não é só excesso de confiança que coloca a vida das pessoas em risco. O cabo do Corpo de Bombeiros Ivo Justino de Almeida, que está trabalhando como salva-vidas em Ipanema durante a temporada, explica que as pessoas ouvem as orientações e depois entram novamente nos locais perigosos. ''A gente apita, mostra o perigo, a pessoa sai, mas depois volta'', contou. O cabo Justino afirmou também que muita gente nada em entrepostos, como a área de pescadores em Ipanema, por exemplo. E lá tem o agravante ainda que barcos estão o tempo todo entrando no mar, o que também representa risco aos banhistas.
Enquanto os salva-vidas se desdobram para ficar de olho em todos e ainda chamar a atenção de quem está correndo risco, muitos banhistas continuam se justificando. ''Entro só no raso. Não tem perigo'', afirmou o adolescente de 16 anos, Athus Glaki, de Ponta Grossa. ''Eu observo a placa, tomo cuidado e só fico no raso'', alegou também o turista curitibano Claudio Kramer. A operação verão do Corpo de Bombeiros conta, desde o último dia 17 de dezembro, com 650 bombeiros e 40 salva-vidas civis, que se candidataram como voluntários para o trabalho e passaram nos testes da corporação.


