O presidente da CMTU, André Nadai, ao deixar o Gaeco na manhã de ontem, após prestar depoimento sobre o suposto cancelamento irregular de multas na companhia, disse que a sindicância formada para apurar administrativamente as denúncias, encontrou mais casos suspeitos. A comissão, presidida por um funcionário comissionado, apura os autos cancelados nos últimos cinco anos.
''A comissão apurou que havia pessoas em cargos comissionados na época de 2008 (na administração anterior) que talvez poderiam estar retirando os autos de algum local para deixar que o prazo para notificação fosse expirado'', disse Nadai, sem revelar nomes ou quantidade de multas canceladas.
Nadai criticou os agentes que denunciaram as irregularidades ao Gaeco, afirmando que primeiramente eles deveriam tê-lo notificado ou algum dos diretores da companhia. ''Os agentes que se sentiram coagidos ou dizem que foram coagidos deveriam ter feito este comunicado à direção da CMTU. Se fizeram alguma coisa, que não deveriam ter feito, e se não tinham confiança em notificar a diretoria, que viessem na época aqui no Ministério Público.''
Sobre os investigados, Nadai disse que não pretende afastá-los da função porque isso poderia resultar em posterior pedido de indenização contra a CMTU. ''Se houver comprovação de irregularidades, qualquer envolvido não será afastado, será demitido.''
Também foi ouvido ontem o diretor de trânsito da CMTU, Wilson Santos de Jesus, que afirmou ter ''falado mais sobre o funcionamento do sistema de multas''. Para o promotor de Justiça Cláudio Esteves, os depoimentos de Wilson de Jesus e Nadai ''não surtiram os efeitos desejados de ampliar os esclarecimentos sobre os fatos''. ''Eu pensei que haveria informações adicionais, mas elas não vieram. Vamos aguardar as outras inquirições e outras medidas que já foram tomadas para ver se nós avançamos'', afirmou. Ele disse já ter requisitado cópia da sindicância da CMTU para ter acesso aos novos casos suspeitos apontados pela companhia.
Ação do Gaeco
Em coletiva na manhã de ontem, o prefeito Barbosa Neto (PDT) considerou um ''exagero'' a operação feita pelo Gaeco na CMTU. ''Tudo isso que está acontecendo é um exagero de alguns. Essa operação é uma violência que se faz porque nós tínhamos tomado conhecimento e mandamos abrir uma sindicância.'' Segundo o prefeito, duas multas teriam sido canceladas por funcionários concursados. ''Não fui eu que os coloquei ali. Eles estavam lá há vários anos e merecem fé pública até que se prove o contrário'', defendeu. Na semana passada, Barbosa havia dito que a operação pegaria ''peixe grande''. (L.C. e Paula Barbosa Ocanha)

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