Na sobra de uma vitamina, a reviravolta da Sávio
A história da Sávio se confunde com a própria história da cidade, ao seguir à risca as fases de euforia e desencanto da economia local. A sorveteria foi fundada a princípio como um bar, em 1942, por Ângelo Sávio, que vinha de Conchas, interior de São Paulo, esperançoso de vencer no Norte do Paraná. Em 1949, João, filho de Ângelo e pai de Érico, teve a idéia de comprar uma máquina de fazer sorvete para o estabelecimento.
A reviravolta na empresa, que desde o início se mantém na Rua Quintino Bocaiúva, aconteceu em 1962, quando João por acaso teve a idéia de colocar nas formas de picolé a sobra de uma vitamina de leite com côco que havia sido pedida por um cliente. O produto final, extremamente cremoso e suave, ganhou o nome de Espumoni. A Sávio deixava de ser bar para virar, além de sorveteria, uma indústria.
No final dos anos 70, fez-se sentir na empresa o sopro da famosa geada de 1975, que havia literalmente esfriado o ânimo da economia local. Em 1977, o mês de novembro, que costumava ser de boas vendas, foi um naufrágio financeiro para a Sávio. A família decidiu vender a indústria e ficar apenas com a sorveteria. ''Na minha opinião, eles não souberam esperar'', pondera Érico.
Pouco tempo depois, quando a Zona Norte da cidade se tornou a mais populosa do município a partir dos Cinco Conjuntos, a Sávio viveu um período próspero ao trabalhar com sorveterias familiares, que com pouca estrutura comercializavam seus produtos em garagens, na frente das casas. ''Mas depois começaram a surgir muitas pequenas fábricas de máquinas para fazer sorvete, que tinham custo bem acessível. A concorrência nos bairros ficou grande'', conta Érico, que desde 1983 é responsável pela Sávio, ao lado do irmão Eduardo.
A estratégia adotada a seguir foi o investimento em máquinas de cones para sorvete e picolés, numa estrutura mais profissional e menos familiar. ''Ficou mais fácil colocar os freezers em pontos de venda. Ajudávamos o parceiro que revendia o produto, na medida em que o próprio cliente podia se servir'', diz Érico. Em 1998, a Sávio voltou a ter uma indústria de sorvetes. Hoje vende produtos para estabelecimentos no Norte do Paraná e no Sul do estado de São Paulo, e é a líder do setor entre empresas regionais nesta área de influência.
O segredo para se manter no mercado tanto tempo? Nem José Grossi Sobrinho nem Érico Sávio tem medo do clichê: tem que gostar do que faz. ''Eu tenho paixão pelo meu trabalho e pelo produto. Sorvete só traz alegria, para qualquer idade, dos oito aos 80'', diz Érico, que receberá a homenagem de quarta-feira também em nome do pai e do avô, ambos já falecidos.
Grossi demonstra entusiasmo semelhante quando fala sobre a Dicomag e analisa com um misto de técnica e sentimento a cidade que o acolheu. ''Londrina hoje é muito mais eclética do que era quando a conheci. Há muita variedade em serviços, comércio, indústria e agricultura. E é a cidade onde casei e tive meus filhos. Onde fiz minha vida''.





