O diretor do Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas da UFPR, Igor Chmyz, diz que o Paraná está ‘‘perdendo’’ informações arqueológicas importantes. Segundo o professor, especialmente na Região Metropolitana de Curitiba, a densa urbanização está dificultando as pesquisas. ‘‘O que não está ocupado por construções está soterrado por lixo’’, critica.
  De acordo com Chmyz, a legislação brasileira determina que pesquisas arqueológicas só podem ser feitas em área construída após autorização do proprietário. Como muitos não permitem o estudo, informações valiosas podem ser perdidas.
  ‘‘A informação só pode vir da pesquisa arqueológica. Eu diria que a situação no núcleo histórico de Curitiba, em torno da Praça Tiradentes, é preocupante. Nós lutamos para que qualquer obra naquela região seja precedida de pesquisa arqueológica. Nós já conseguimos dados da ocupação naquela área até o século XVIII. Com uma pesquisa adequada, acredito que poderíamos obter informações sobre a ocupação no século XVII e eventualmente até indícios mais antigos’’, explica Chmyz.
  ‘‘Em nenhum país europeu se faz uma grande intervenção urbana sem uma pesquisa arqueológica antes. Se o sítio é destruído, não tem como recuperar. É como pegar um livro de edição única, arrancar uma página e jogar fora’’, aponta o professor.
  Chmyz afirma que há muito a ser pesquisado na RMC. Segundo o professor, na região foram encontradas evidências (material cerâmico, instrumentos de pedra) da presença de índios tupi-guarani e jê por volta do ano 1500 d.C. e da presença de caçadores coletores (grupos que não produziam e que viviam conforme o que conseguiam da natureza) há cerca de dois mil anos.
  De acordo com Chmyz, em outras regiões do Paraná foram encontradas evidências ainda mais antigas. ‘‘Mas nada impede que na RMC sejam encontrados sítios até mais antigos. Tudo depende da pesquisa’’, diz o professor. (F.G.)

mockup