''Sei que todo mundo está concentrado em história racial, mas não estou falando sobre isso. Podemos entrar na história aos sermos, pela primeira vez, um movimento de pessoas de todas as raças'', disse Obama, que não se põe na figura de injustiçado e, assim, ''não causa desconforto aos brancos'', segundo David Greenberg, professor de Estudos de Mídia e História.
Por outro lado, na comunidade negra, há os que apontam para o cruzamento sanguíneo de Obama, filho de um negro do Quênia e de uma branca, do Kansas, de origem nórdica. Sua formação em Harvard, a melhor universidade do país, também o diferencia de outros líderes, segundo opiniões que o colocam à margem da herança cultural dos afro-americanos, que inclui a escravidão e a segregação. Analistas, porém, o elogiam pela ''habilidade de fazer discursos inspiradores'', segundo Peter Applebone, do New York Times. ''Parte igreja negra, parte positivismo norte-americano, os discursos de Obama parecem talhados para atingir algum ponto sensível da alma norte-americana.''
Em Iowa, 35% das mulheres votaram em Obama e 30% em Hillary Clinton. Mas em New Hampshire, onde as mulheres constituem 57% do eleitorado, Hillary obteve 46%, reação atribuída, de modo geral, a um incidente: ela chorou ao emocionar-se com a pergunta de uma eleitora. E houve a caçoada de dois homens, dizendo que tinham camisas para ela passar. Tal machismo suscitou comentários de solidariedade, até mesmo lembrando que Hillary fora humilhada pelo próprio marido, quando presidente, que se envolveu sexualmente com a estagiária Mônica Lewinski, caso amplamente exposto na imprensa.
''Hillary não baseou sua campanha, ou boa parte de seu apelo, na sua feminilidade. Entretanto, o público (e em especial a mídia) persiste em vê-la por essa ótica'', escreveu Susan Faludi no Los Angeles Times. Autora de ''Domados - Como a Cultura Traiu o Homem Americano'', Susan diz que ''se os especialistas tentassem compreender o que algumas eleitoras sabem da complexidade das vidas das mulheres, eles poderiam começar a compreender o apelo de uma candidata (...) cuja ética de cuidar e cuja postura de feminilidade derivam de responsabilidades além das maternais. E ainda poderiam começar a compreender o afeto das mulheres em New Hampshire que a colocaram na frente''.(W.S.)

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