‘‘Todo esporte precisa de um ídolo’’, diz Ana Cláudia França, diretora das categorias infanto-juvenis da Federação ParanaenseA garra e força que o tenista Gustavo Kuerten vem mostrando nas principais quadras do mundo não garantiu apenas a conquista de um dos troféus mais importantes do tênis mundial. O campeão de Roland Garros está servindo de inspiração para toda uma geração de novos atletas. Em academias e clubes de tênis da cidade, a procura por aulas aumentou instantaneamente.
Há décadas sem um grande ídolo - o último que poderia se comparar a Guga foi Thomas Koch - o tênis brasileiro vem ganhando novo impulso graças às raquetadas certeiras do catarinense. ‘‘Entre as crianças e jovens, o reflexo foi grande e imediato’’, diz a diretora das categorias infanto-juvenis da Federação Paranaense de Tênis, Ana Cláudia França. ‘‘As academias e clubes começaram a receber telefonemas já no dia seguinte após a vitória’’.
Apenas na Tennis Play, uma das academias mais conceituadas da cidade, foram uma média de dez ligações diárias. A faixa etária mais atingida pela ‘‘Gugamania’’ é formada pelos pequenos jogadores, com idade entre cinco e doze anos - existem métodos especiais para crianças com pouca idade. Segundo Ana Cláudia, a explosão só não foi maior pela falta de quadras públicas. ‘‘Em Curitiba não existem mais que cinco. Como as academias têm mensalidades na faixa dos R$ 100,00, o tênis continua sendo restrito’’.
Além de motivar a entrada de novos praticantes nas quadras, o efeito ‘‘Guga’’ serviu comogrande motivação para os jovens tenistas. ‘‘Todo o esporte precisa de um ídolo para que os atletas iniciantes se espelhem’’, resume Ana Cláudia. Muitos jovens atletas de Curitiba tiveram chance de ver Gustavo Kuerten jogar um mês antes da conquista consagradora: ele participou de um torneio no Graciosa Country Club.
Aos 12 anos, a tenista Maria Teresa Fornea, uma das que viu Guga ao vivo em Curitiba, conta que está mais inspirada para enfrentar os treinos de duas horas por dia, cinco vezes por semana. ‘‘Fiquei com mais vontade de competir, pois vi que nós brasileiros temos chance nos grandes campeonatos’’, conta ela, que joga há três anos e é a primeira do estado na categoria 12 anos.
Adriano de Mello, 14 anos, também deixou-se contagiar pela performance de Guga nas quadras internacionais. ‘‘Comecei a pensar mais em uma carreira profissional’’, admite Mello, um dos destaques do estado na sua faixa etária. Na hora de se concentrar antes de iniciar uma partida, ele costuma puxar pela memória. Surgem na sua mente, então, imagens de Gustavo Kuerten em ação em Rolando Garros. ‘‘Fico mais inspirado’’, justifica.
Um primo que já abandonou a raquete foi quem apresentou o tênis a Patrick Kobylansky, 16 anos. Atualmente, seu ídolo, como não poderia deixar de ser, atende pelo apelido de Guga. ‘‘A chance de levar o esporte como profissão ficou muito maior. Ano que vem vou tentar o vestibular para medicina: terei que parar para pensar e ver qual carreira seguir’’, comenta. ‘‘Se eu escolher o tênis, não sei o que meus pais vão dizer - mas, graças ao Guga, a chance de eles aceitarem é maior’’. Kobylansky tem todos os jogos do brasileiro número 1 do tênis gravados em vídeo. Já assistiu cada partida pelo menos duas vezes, ponto por ponto. ‘‘Aprendi com o Guga que vale a pena se esforçar e dar tudo da gente por aquilo que acreditamos’’, conclui.

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