Pontal do Paraná - Sol, água fresca e comida saudável. Os veranistas que estão em busca de lazer e sossego no litoral paranaense têm à disposição toda sorte de atividades, recreação, bebidas e alimentos. Muitos deles na beira da praia. São 1,4 mil vendedores ambulantes cadastrados. Isso sem contar aqueles que não são cadastrados, mas que estão ali, no meio da multidão. É o caso do mineiro Marcelino Moreira Silva, de 30 anos.
Lavrador de profissão, ele arriscou tudo o que tinha para trabalhar na temporada no litoral paranaense. Na beira da praia, atropelando-se com os demais vendedores ambulantes, ele vende as saias, as cangas, as mini-blusas e bermudas para as veranistas. ''Desde 98, eu venho para cá na temporada. Vim uma vez e gostei. Já me acostumei. Tem ano que a gente ganha pouco. Tem ano que não ganha nada. Esse ano está bom. Estou quase empatando o que investi. E ainda tem muito verão pela frente'', disse ele. Na lavoura, Silva trabalha com café e cana de açúcar.
Foi pensando em lucratividade que o paraibano Severino Luiz da Silva, de 57 anos, chegou ao Paraná. Ele veio com outros 23 paraibanos. Todos dentro de um caminhão para vender redes no litoral paranaense. As redes são bem feitas e custam de R$ 20 a R$ 50. Depende muito da ''cara'' do cliente, confessa o vendedor ambulante. Há seis anos, Severino vem ao Paraná depois de fazer uma turnê pelo Brasil que começa pela Bahia, passa por Goiás, Minas Gerais e São Paulo. ''Essa é minha última etapa antes de voltar para casa. Fico aqui até o carnaval. Depois volto para minha família com dinheiro no bolso'', disse ele. Para os demais vendedores da Paraíba, uma das dificuldades é o frio. Dificuldade que Severino não tem. ''Eu não sinto frio. Eu sinto calor. Frio é bom. A gente coloca o agasalho e fica aquecido. No calor não adianta. Entra na água para refrescar, fica com o nariz de fora e ainda sai queimado'', analisou.
Severino gosta das praias paranaenses, mas critica o povo. O veranista do Paraná é ''chorão'', diz ele. Não compra antes de conseguir um bom desconto. ''Não consigo vender de cara para o veranista daqui. A gente tem que colocar um preço a mais para poder diminuir. É diferente de São Paulo, onde o freguez é bom. Aqui o freguez é chorão'', definiu. A comerciante Sonia Marli da Silva, de 60 anos, já se acostumou com o povo que frequenta a praia. Ela vende refrigerante e cerveja na beira do mar e acha que vende muito. ''O que mais consomem aqui é cerveja'', brincou. Curitibana, há quatro anos ela mora no litoral. Como ficou viúva, trabalha para complementar a renda familiar. ''Na temporada dá para fazer um caixa e ficar mais tranquilo no restante dos meses. Fora de temporada, faço salgado e pão e vendo de casa em casa. É cansativo, mas foi a solução que encontrei para sustentar meu lar'', disse ela, que tem uma filha que é servidora pública.
A mineira Rosemari Jacinto, de 30 anos, também adotou o litoral do Paraná. Vinda de Campo Mourão, Rosemari mora na praia há 11 anos. Este ano está vendendo pastéis para os veranistas. ''Viemos trabalhar aqui na temporada e acabamos ficando. Meu marido mexe com construção civil. Eu sou diarista. Mas na temporada podemos nos concentrar aqui na praia. A gente ganha um dinheiro bom. Dá para passar o inverno mais sossegado'', analisou. Nesse período de verão, mais de 1,4 milhão de veranistas estão no litoral paranaense.

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