NA PRAIA - Itapoá é reduto de pés vermelhos
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Itapoá, a primeira cidade praiana ao norte de Santa Catarina, na divisa com Guaratuba, na costa paranaense, fica a 550 quilômetros de Londrina, bem mais longe do que as praias do Paraná. Quem anda pelos seus 27 quilômetros de areia, no entanto, acostumou-se a ouvir conversas com o som arrastado da letra ''r'', tão característico do Norte do Estado.
Ninguém sabe exatamente o porquê, mas a verdade é que há muitos anos o povo do Norte do Estado elegeu Itapoá como uma de suas praias preferidas.
Em números, a presença dos londrinenses não é tão sentida. Com uma população de 15 mil habitantes, a cidade chega a abrigar 200 mil em dias de temporada. O secretário municipal de Turismo, Meio Ambiente e Cultura, Carlos Henrique Pedriali Nóbrega, calcula que 90% dos veranistas são paranaenses, sendo 75% de Curitiba e o restante do Norte do Paraná.
Os números do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) demonstram uma presença ainda menor de londrinenses. Dos 35 mil carnês de IPTU emitidos este ano, só 1.240, o equivalente a 3,5%, são de londrinenses proprietários de casas ou terrenos no município.
O gerente do órgão tributário do município, Ronaldo José dos Santos, reforça a tese sobre a presença em massa de paranaenses na cidade. ''A maioria dos loteadores das terras do município é do Paraná, que vieram pela estrada que vem de Guaratuba. Os prefeitos da cidade também são nascidos no Paraná'', avalia.
Segundo o secretário, sabe-se que no final da década de 90 um prefeito da cidade fez uma grande campanha sobre Itapoá na região Norte do Estado. Como resultado, muitas pessoas da região compraram terrenos na praia catarinense. O próprio secretário municipal de Turismo, um londrinense de 31 anos, conta que frequenta Itapoá desde os três anos de idade.
''Foi paixão à primeira vista. Eu cheguei e vi a mata de fora a fora, conchinhas na praia toda, tinha tudo quanto é tipo de peixe'', resume o agropecuarista José Cândido de Carvalho que, em 1970, em companhia da esposa Olga foi a Itapoá pela primeira vez. ''Fui um dos pioneiros, eu vinha com uma camionete Willys, de tração nas quatro rodas, enfrentava barro, trazia todas as compras de fora'', conta, lembrando que sua casa foi uma das primeiras a receber telha de cerâmica. Até então os pescadores cobriam suas casas com folhas de buriti.
Com duas filhas e cinco netos, hoje a família toda viaja a Itapoá, mesmo fora de temporada. ''Só sinto um pouco a falta de policiamento nas ruas'', diz a filha Josiane, que pensa em comprar uma casa mais retirada da região central, para fugir do movimento.
Embaixo do guarda-sol, a família do aposentado londrinense Osório Alves da Silva, que frequenta Itapoá desde 1988, conta que a preferência pelo lugar veio em função da diversidade. ''Aqui tem praia de todo tipo, funda, rasa, mansa, braba, até porto vai ter. Nós adoramos, é a única praia limpa que existe na região'', diz. Ele conta que começou a frequentar Itapoá no início dos anos 80, quando o irmão resolveu procurar um lugar para investir. Ele mesmo construiu um condomínio, com sete sobrados, sendo que dois continuam nas mãos da família.
Investimento também foi o motivo que levou a família da londrinense Creusa Pilá a construir em Itapoá. Há 15 anos, o marido abriu uma loja para venda de aço e ferro no município. ''Aqui não é tão poluído, a praia é grande, mas você pode vir com criança sem problemas, que dá para controlar'', diz Creusa.
A filha, Sara, concorda que a praia é melhor para crianças, mas ela prefere Balneário Camboriú. ''Aqui é bem tranquilo, parado, estou mais acostumada com o agito de Camboriú''. Ela reclama, ainda, da falta de banheiros e chuveiros públicos ao longo das praias.


