Na estrada de automóveis, o solitário Airton na carroça
Com a Estrada do Cerne afigurava-se o rumo certo para o norte e João Scheffer chegou a Londrina para trabalhar na indústria de artefatos de ferro de Jacob Minatti. Era tio de Alfredo Scheffer, pequeno agricultor e ferreiro de alto conceito em Agudos do Sul, a quem Minatti também reservava emprego. Mas Alfredo interrompeu a viagem em São Jerônimo, convencido a ficar ali mesmo, pois a cidade não tinha ferreiro.
Assim Airton Scheffer começa a associar a história familiar à rodovia, sendo ele próprio o terceiro personagem em cena, ao viajar de carona em caminhões até São Jerônimo, a procua do pai (Alfredo), de quem a família não recebia notícias em Agudos. E por ele foi incumbido de vender a produção de batatinhas em Agudos do Sul e providenciar a mudança da oficina para São Jerônimo, onde família passaria morar.
Sucedeu a viagem de carroça, embora pudesse usar automotor. Motivo: não deixar em Agudos um cavalo que seu avô Gastão Leprevost dera de presente ao pai. Com o animal formou a parelha e partiu sozinho, a mãe e cinco irmãos se mudariam mais tarde, em caminhão. Alfredo tinha 16 anos de idade. Já adiante de Bateias, quando atingia os pontos mais altos, ''o caminho parecia não ter fim'' e isso o deixava um tanto angustiado.
Demorei 19 dias e no Barro Preto peguei neve. Nunca mais vi coisa igual.'' Sentia a neve contra o rosto e quando as mãos pareciam congelar, pediu abrigo e pôde se aquecer numa fogueira.
Os Scheffer passaram a fabricar foices, outros instrumentos e até carroças; o pai elegeu-se vereador em 1947 e se tornou safrista. Airton sucedeu-o na ferraria e evoluiu para a mecânica de máquinas pesadas. Nos primeiros anos 40, São Jerônimo era uma cidade rodeada pela floresta abrigando muitos animais e Airton e Jerônimo Teixeira de Ávila se tornaram célebres caçadores, até de onça.
Vereador de 1963 a 1971, Airton também foi duas vezes vice-prefeito. Casou-se com Zulmira Ferreira da Costa, a Inhazinha. ''Nasci em Piraí e chegamos a São Jerônimo de carroça, em 1935, eu tinha cinco anos'', recorda Zulmira. Estão casados há 60 anos, têm duas filhas, netos e uma bisneta.(W.S.)





