Na escola sim, na faculdade não
Enciclopédia é item obrigatório na biblioteca de qualquer escola ou faculdade. Mas quando o assunto é a Wikipédia, as opiniões ficam divididas entre o ensino fundamental e médio e o ensino superior. A professora da 5 série Moema Cristina Oliveira Chueire recomenda o uso da enciclopédia para os alunos e pede para que eles tragam o conteúdo pesquisado para a sala de aula.
''É mais fácil porque eles vão direto ao assunto, e têm acesso a um leque muito grande de informações. É uma ferramenta ótima, mas precisa de cuidados. Não aceito simplesmente o 'copiar e colar'. Oriento para que eles separem o que encontraram de mais importante e escrevam com as próprias palavras'', diz a professora, que mesmo favorável à internet mantém a preocupação de estimular a leitura de livros entre os alunos.
Foi por intermédio de um professor que o estudante Mateus Dinali Seixas, de 14 anos, conheceu a Wikipédia. Durante um trabalho sobre células, ele encontrou informações mais específicas na enciclopédia on-line, e não parou mais de consultá-la. ''Usava muito mais o Google, mas depois que descobri a Wikipédia, ela virou minha primeira opção. É bom para encontrar os assuntos da escola, e também dá para expandir os conhecimentos, porque tem uma página ligada na outra'', afirma o estudante, lembrando que a Wikipédia não tem só o lado bom. ''É ruim porque qualquer um pode apagar o conteúdo, sacanear''.
Na universidade, a enciclopédia não é vista com bons olhos pelos professores. Edenílson de Almeida, docente do curso de jornalismo, proíbe terminantemente o uso de artigos da Wikipédia nos trabalhos. ''É zero na hora. Não é um site sério, confiável. Serve como mera referência, um primeiro caminho para descobrir o significado das coisas. Literalmente um dicionário'', critica o professor.
Precavido, Edenílson já avisa os alunos no primeiro dia de aula que não aceita trabalhos com conteúdo da Wikipédia. No último ano do curso, ele faz os estudantes assinarem um termo se comprometendo a não usar citações dos artigos. ''Antigamente, de cada dez trabalhos, oito vinham com conteúdo da Wikipédia. Já tive aluno que entregou a primeira parte do trabalho de conclusão com 10% de conteúdo que não eram da internet, e ele teve que refazer tudo''.
O professor não recrimina o uso da internet como forma de pesquisa durante a universidade, mas orienta os alunos a procurarem sites de instituições mais conhecidas. ''Existem sites mais sérios, que publicam artigos científicos e dados com credibilidade. Mas dá mais trabalho, e o aluno sempre procura o caminho mais fácil''.(M.F.)





