Júlia Wanderley/Casa da MemóriaPraça Tiradentes, Curitiba, com vista da Igreja do Rosário nos tempos da provínciaNa era republicana, a força dos coronéis
A proclamação da República, em 1889, pouco antes do fim do século, não mudou muito a situação política, nem no Paraná, nem no Brasil. Nos primeiros tempos da República, persistiu a instabilidade do período imperial. Os governantes eleitos a 10 de abril de 1891 foram depostos (porque apoiaram o frustrado golpe nacional do marechal Deodoro da Fonseca), estabelecendo-se uma Junta Governativa que realizou eleições para formação do novo Congresso Estadual Constituinte que, em 7 de abril de 1892, promulgou a Constituição que vigorou até a Revolução de 30.
A chegada do novo século trouxe profundas transformações para a vida brasileira, mas não propiciou paz nem estabilidade política. Sucediam-se os governos, havia um crescimento populacional, um anseio de evolução. A política porém não mudava. O sistema político era, aparentemente, democrático. Entretanto, predominavam os interesses e a força dos ‘coronéis’ municipais. Instaurou-se, no Paraná, como no País, um sistema de governo oligárquico, dominado pelos senhores da economia.
As transformações sociais que atingiam o mundo também se refletiam no Brasil. Havia um crescimento no segmento trabalhador sem, porém, qualquer apoio. Sucediam-se os conflitos. O Governo central usava e abusava do estado de sítio.
A sucessão governamental se fazia, no Paraná, nos primeiros anos do século, de modo normal e contínuo. Em 1901, Vicente Machado assumia o Governo do Estado; em 1906, assumia João Cândido Ferreira; no ano seguinte, tomava posse o coronel Joaquim de Carvalho e Silva e em 1907, assumia o Governo o sr. Francisco Xavier da Silva.
À margem da atividade política, havia o crescimento econômico. O café já era o esteio da economia brasileira, mas a atividade não havia chegado de modo pleno ao Paraná. Por aqui, a base da economia continuava a ser o pinho e a erva-mate. A indústria de manufaturas dava seus primeiros passos. As maiores fábricas paranaenses do inicio do século eram de fósforos, de sabão e de velas, de massas alimentícias e cerâmica.
Começou a crescer a exploração do pinho. Até a primeira década do século, ainda era pequena a participação do pinho na economia paranaense. Mas veio a primeira guerra mundial – 1914 a 1918 – e com a impossibilidade de importar madeira aumentou a procura do pinho paranaense que passou a abastecder o mercado internado e também a ser exportado. Assim, o pinho supera a erva-mate como fonte de recursos.
Dentre as resultantes disto, está a devastação. Em 1920, calculava-se que o Paraná teria reservas florestais de pinheiros para 370 anos. Naquela época, 76 mil quilometros quadrados do Estado eram cobertos de matas de pinheiro. Em 1960, esta área estava restrita a apenas 23 mil quilômetros quadrados, o que significa que, em 40 anos, se liquidou o que deveria ou poderia durar quase 400.
Avulta, também, na primeira década do século, um fato que constitui motivo de real orgulho para o Paraná: a criação da primeira universidade brasileira, a Universidade do Paraná, cuja criação começou em 1912. A Universidade iniciou seu funcionamento em 24 de março de 1913. Entretanto, em 1915, uma reforma na legislação federal para a educação impedia a existência de cursos superiores em cidades com menos de 100 mil habitantes. Curitiba estava, à época, com pouco mais de 60 mil. A Universidade não foi reconhecida. Uma intensa mobilização permitiu que se revogasse a exigência populacional para a implantação de cursos superiores e a solução foi o reconhecimento das Faculdades da Universidade isoladamente. Apenas em 1946, com a redemocratização, é que a Universidade do Paraná foi restaurada, sendo federalizada em 1950.
No setor social, porém, as coisas não iam bem. Desde a primeira guerra mundial, ocorriam manifestações públicas de inspiração social no Estado. A situação do operariado, que crescia com a própria industrialização, era terrível. A jornada de trabalho ia de 14 a 16 horas por dia, os sete dias da semana. No domingo, os operários eram obrigados a fazer limpeza das fábricas. Não havia estabilidade no emprego nem salário mínimo. Surgiram as primeiras manifestações e greves.
A corrupção eleitoral era pública e notória. Todas as críticas feitas ao sistema eleitoral do tempo do Império podiam ser ampliadas para a época da primeira República. O voto não era secreto, os ‘coronéis’ controlavam o eleitorado, o resultado podia sair antes mesmo das eleições.
A situação se agravou mais com os reflexos da crise mundial. A quebra de Wall Street, em 1929, se refletiu por toda parte. O Brasil, com sua economia baseada no café, ficou em precárias condições, ainda mais com uma produção tão grande que o valor do produto estocado era superior ao total da moeda circulante no País.
O corolário natural de todo um clima de insatisfação política, social e econômica no País foi a Revolução de 1930.

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