Na crista da onda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de março de 2008
Flora Guedes<br>Equipe da FOLHA 
Em Ourinhos, na divisa de São Paulo com o Paraná, Carlos Henrique Silva, 29 anos, deixou a família, o emprego de bancário, abriu mão do seu primeiro empreendimento, e veio para Curitiba em busca do sonho de investir numa nova carreira no ramo da gastronomia. Nesse semestre, ele conclui o curso de Chef de Cuisine do Centro Europeu, onde também faz estágio. Não quero ter um restaurante, mas trabalhar para divulgar e ensinar a gastronomia. Em Curitiba o setor está em expansão, se tiver uma boa idéia, paixão e souber gerenciar, você arrebenta, tem tudo para explodir nessa cidade, acredita Carlos.
O jovem começou a pegar jeito para cozinha, ainda pequeno, porque a mãe sempre deixava as refeições quase prontas e ele precisava finalizar a comida temperando ou terminando o cozimento. Mais tarde, passou a convidar os amigos para encontros semanais regados à boa comida e, um dia, teve a idéia de colecionar aventais.
Hoje, já dispõem de mais de 70 peças, dentre as quais está uma presenteada pela apresentadora global Ana Maria Braga, depois que ele participou do programa dela. Dali em diante, a vida de Carlos mudou o foco para a gastronomia, e ele chegou a investir num pequeno negócio, um misto de café e bistrot, em Ourinhos.
Mas senti a necessidade de estudar mais e me especializar no ramo. Aqui está uma das melhores formações do País. Estou de olho no mercado curitibano, que oferece muitas possibilidades, daqui não tenho pretensão de sair, afirma Carlos Henrique. A empolgação dele tem fundamento. O mercado gastronômico de Curitiba vive um boom, fruto da busca pela qualificação dos profissionais da área, investimento em empreendimentos diferenciados, valorização da criatividade e boa comida e, principalmente, o ganho de um paladar apurado pela clientela curitibana, que adora comer bem.
Um termômetro da gastronomia curitibana certamente é o aumento da oferta de capacitação para os profissionais do mercado. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) lançou, neste ano, o curso superior de Tecnologia em Gastronomia para formação de profissionais entendedores das culinárias nacional, internacional, diet, light e aptos a gerenciar grandes empreendimentos gastronômicos. O curso recebe consultoria do renomado chef Celso Freire, uma das maiores referências do ramo na cidade.
O curso vem como uma resposta ao crescimento do setor na cidade. Para se ter uma idéia da procura, o curso já iniciou com duas turmas e 100 alunos. Propomos esse curso porque Curitiba se transforma num pólo gastronômico do Sul do País. E hoje, não basta pensar apenas na cozinha, na preparação de pratos, mas no entorno da situação que leva a ter um empreendimento de sucesso. As pessoas estão optando por fazer curso superior em busca de mais conhecimento, e não ficar apenas na questão empírica, explica Helena Maria Simonard Loureiro, diretora do curso.
Se em 2002, o Centro Europeu formava duas turmas no curso de Chef de Cuisine, por ano, hoje, aumentou para 13 turmas e atende 390 alunos. O curso de nível técnico qualifica o profissional para atuar na cozinha, gestão do negócio, estudos mercadológicos e consultorias. O mercado está em expansão e pede qualificação profissional. Não há mais espaço para amadores, o cliente exige qualidade do serviço, avalia o coordenador dos cursos de chef de Cuisine e Administração Hoteleira do Centro Europeu, Sandro Duarte.
Em Curitiba se consegue comer o que quiser. Temos comidas regionais e típicas nas feirinhas, culinárias italiana, alemã, francesa, ucraniana. De dois anos para cá, houve uma explosão da cozinha japonesa e dos asiáticos, conta.
O curitibano se mostra um público com alto grau de exigência, ao mesmo tempo que é aberto para experimentar novidades. Esse cenário reflete a vida moderna e uma busca da sociedade pela culinária. As pessoas comem muito fora de casa, só que elas não querem apenas fast food, querem alimentação saudável, saborosa e prática,
reforça ele.


