Na contramão do feminismo, elas preferem a casa
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sábado, 13 de maio de 2006
Márcio Oyama<br> Agência Estado 
São Paulo - Faz muito tempo que as mulheres deixaram de ser criadas para o lar. Os pais não educam mais as filhas para que se tornem boas esposas, cozinheiras de mão cheia, mães zelosas. A prioridade é a universidade, a profissão, a carreira.
No entanto, ainda hoje, há quem prefira ''voltar às raízes'', fazendo o caminho inverso. São executivas e profissionais graduadas que, de uma hora para outra, resolvem virar donas de casa. Decidem se dedicar integralmente à família e ao lar, deixando para trás currículos, promoções, altos cargos e salários.
Vera Vilaça, 55 anos, formada em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e pós-graduada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é uma dessas mulheres que descobriram a felicidade na contramão. Depois de anos trabalhando como executiva de marketing em grandes bancos do País, como o Itaú, Real e Mercantil-Finasa, Vera se aposentou. Tinha 40 anos e queria fazer algo que nunca havia feito a contento: cuidar da casa e da família.
O recomeço foi difícil. ''Eu me sentia perdida, uma estranha no ninho. Descobri que não conhecia as minhas três filhas, todas já crescidas'', conta. ''Quando trabalhava, nunca ficava em casa cuidando delas. Eu nem aproveitava os três meses de licença-maternidade. Sentia as contrações no trabalho, ia para o hospital, dava à luz e, depois de um mês, já estava de volta ao batente.''
A família era secundária em sua vida, reconhece Vera. ''Sou da primeira geração de feministas brasileiras e abracei a causa de maneira extremamente radical. Me dedicava apenas à carreira; a família era apenas um complemento.''
Hoje, a dona de casa diz que se arrepende de ter passado tantos anos distante do lar. E defende: ''Ser mãe, cuidar da casa, da família, tudo isso faz parte da natureza da mulher, é um papel que temos de desempenhar. Não há como fugir. No campo físico e emocional, somos mesmo diferentes dos homens. Quando tentamos nos igualar a eles, ficamos sobrecarregadas.''
Na nova posição de mãe e esposa dedicada, Vera não se acomodou atrás do tricô. Usou a vasta experiência como executiva para buscar meios econômicos e práticos de cuidar da casa. Aprendeu a fazer produtos caseiros de higiene e beleza, a decorar reciclando materiais, artesanato, bricolagem e muitos outros segredos domésticos. Tornou-se expert no assunto e escreveu um livro, ''De volta para casa'' (Editora Vida, 220 págs.), em que revela os truques para quem quer cuidar do lar, da família e de si mesmo sem gastar muito. No próximodia 20, Vera lança outra empreitada: o site www.devolta.paracasa.com.br, em que tirará as dúvidas de suas leitoras.
Não são todas as mulheres que se adaptam tão bem ao retorno ao lar. A advogada Andrea Pimenta, de 38 anos, parou de trabalhar para cuidar das filhas, de 8 e 4 anos. Com as meninas já na escola, Andrea pensa em retomar a carreira. ''Pude acompanhar todas as fases do crescimento delas e foi ótimo. Só que chega uma hora em que a gente quer fazer algo diferente'', diz a advogada. E resume: ''É gostoso cuidar dos filhos. Mas, às vezes, cansa''.


