Na companhia de homens
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de maio de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
"Nossa cultura perdeu a experiência profunda de ser homem através da companhia de outros homens", diz o texto de apresentação do curso Guerreiros do Coração. São dez encontros, realizados ao longo de um ano, com o objetivo de resgatar "a inteireza do ser para homens".
As aulas, na verdade, servem de introdução a um movimento maior, que propõe uma espécie de resposta holística à tão discutida crise contemporânea da masculinidade. Criado há cerca de 15 anos pelo psiquiatra gaúcho Mauro Pozatti, o grupo ainda é pouco conhecido do público em geral. Mas cresce rapidamente na região Sul, onde centenas de homens já passaram por seus cursos e atividades.
Alexandre Magno, 40, é o único representante em Curitiba dos Guerreiros do Coração. Especialista em programação neurolinguística, veio de Porto Alegre justamente para criar uma base do movimento por aqui. Há três anos instalado na cidade, ele atualmente trabalha com duas turmas - de primeiro e segundo ciclos, como são chamados os estágios de desenvolvimento dentro do grupo.
O facilitador, como prefere ser chamado, conta que o conceito dos Guerreiros surgiu a partir de uma crise de Pozatti. Recém-separado, e com dois filhos homens para criar, o médico mergulhou em estudos multidisciplinares e elaborou sua própria escola terapêutica, baseada principalmente nos arquétipos junguianos e na psicologia transpessoal. Esta última, de díficil definição, sugere a transcendência da psique e a conexão com outras realidades (social, ecológica, cósmica).
Alexandre tinha 25 anos quando se juntou ao primeiro grupo formado por Pozatti. Trabalhava como técnico em eletrônica e vivia as dores de um rompimento amoroso. Conheceu o psiquiatra por indicação de sua antiga terapeuta, que percebeu nele a necessidade de "trabalhar" a relação com o pai.
"Fomos construindo aos poucos um autoconhecimento. Mas a própria possibilidade de falar das minhas dificuldades enquanto homem já aumentava o meu poder pessoal", diz o facilitador, sobre os primeiros encontros.
Dali para frente, a transformação foi total. Alexandre passou a investir todo salário que ganhava como técnico numa formação holística. Fez cursos de massoterapia, astrologia, florais, reiki, etc. Até que, em 1998, Pozatti o convidou para coordenar seu próprio grupo.
"Foi uma emoção muito grande, porque um dos participantes era o meu pai. Ele estava com 66 anos e contou histórias pessoais que eu nunca tinha ouvido em casa", lembra Alexandre, que hoje promove o curso num espaço de terapias alternativas que mantém com a mulher, Vânia.
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