Na cadência do samba
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba tem vocação para o samba? Quem chega de fora na cidade pode acreditar que não. Fria e voltada somente a si mesma, a Capital paranaense parece não ser o lugar ideal para adotar o ritmo primordial como casa. Como uma cidade tão invernal (com perdão do neologismo de última hora) pode abrigar rodas de samba, com cavaco, pandeiro e tamborim? Como pode nascer aqui o batuque em torno de mesa, regado a cerveja, com gente dançando, descalça e suada? Curitiba também é o túmulo do samba, poderiam dizer os detratores. Conversa pra boi dormir.
Quem procura um bom samba na Capital, encontra. São diversas casas e grupos oferecendo uma das melhores invenções do brasileiro: o samba. No primeiro final de semana de julho (dias 4 e 5), por exemplo, o Teatro Paiol recebeu um dos monumentos ainda vivos da velha guarda do samba: o carioca Walter Nunes de Abreu, o Walter Alfaite.
Aos 88 anos, o alfaiate, cantor e compositor esteve em Curitiba cantando músicas suas e interpretando outros bambas. Encantou. No palco, tão seu lugar quanto entre os ternos que confecciona, sentiu-se a vontade: cantou, sambou, fez brincadeiras e prometeu que até 2020 continua fazendo samba.
O bom momento do samba na cidade é comprovado por Nilo Silva Santos, fundador do Nilo Samba Choro, tradicional casa de samba de Curitiba. Desde 1982 organizando shows de samba, Nilo diz que a situação mudou bastante e que no ínicio de suas atividades o ritmo não tinha a aceitação de hoje. Está melhorando de ano para ano, diz.
Ainda assim, Nilo acredita que é possível que cresça ainda mais. Hoje o samba tem bastante público em Curitiba, mas não tanto quanto em outras cidades, como o Rio de Janeiro. Ainda assim, o pessoal está se acostumando cada vez mais, diz.
Brenda Maria, cantora envolvida com a programação da Sociedade 13 de Maio, tradicional espaço cultural que até esse mês oferecia samba na programação, diz que há cada vez mais espaços, mas ainda é necessário as pessoas se abrirem mais para o ritmo. Para ela, Curitiba é uma cidade que tem espaço para tudo, inclusive para o bom samba. Temos que ser paciente para viver o samba de verdade, filosofa.
Ela conta que o samba na Sociedade 13 de Maio deu um tempo para um projeto que estão elaborando e que deve vir a público provavelmente em setembro. Estamos buscando os sambistas mais tradicionais da cidade para trazê-los à tona, conta. Acredita que assim o samba vá angariar cada vez mais admiradores.
A cantora Roseane Santos, que se apresenta com o grupo Serenou e a Orquestra Maria Feceira, vê com bons olhos a situação do samba. Para ela, Curitiba vive um momento promissor. Temos várias noites em vários lugares diferentes. Além disso, há trabalhos muito bons, com compositores surgindo, diz Roseane. Ela completa: Vale a pena fazer um tour pelo samba da cidade.
Em Curitiba ou em qualquer lugar, é só lembrar a velha máxima: quem não gosta de samba... Você já sabe.
O SAMBA TAÍ
Confira algumas rodas de samba de Curitiba
n Roda: Empório São Francisco
Quem toca: Banda Roda Viva
Quando: Terças-feiras
Horário: 22 horas
Quanto: Masculino - R$ 16 (ticket para consumo gratuito de R$ 8) e feminino - R$ 12,00 (ticket para consumo gratuito de R$ 6)
Onde: Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.138 - Alto São Francisco
Contato: 3222-0301
n Roda: Wonka Bar
Quem toca: Maytê Corrêa & Grupo Batucajé
Quando: Quartas-feiras
Horário: 21 horas
Quanto: R$ 6
Onde: Rua Trajano Reis, 326 - São Francisco
Contato: 3014-6252
- Roda: Clube Harmonia
Quem toca: Grupo Serenou
Quando: Sábados
Horário: 22h30
Quanto: R$ 10
Onde: Al. Princesa Izabel, 2.191 - Bigorrilho
- Roda: Nilo Samba Choro
Quem toca: Grupo Nilo Samba Choro
Quando: De quarta à sábado
Horário: música ao vivo à partir das 22h30
Quanto: R$ 18 (homem) e R$ 13 (mulher)
Onde: Rua Goiás, 640 - Água Verde
Contato: 3345-9501
- Roda: Alice Bar
Quem toca: Divina Luz (terças) e Alto Astral (quintas)
Quando: Terças e quintas
Horário: 21h30 (nos dois dias)
Quanto: R$ 8 (nos dois dias)
Onde: Rua Guido Strauve, 6 - Água Verde
Contato: 3026-3172


