Na boca do povo
Ao passar pela Avenida Luiz Xavier é impossível não notar homens reunidos em várias rodas de conversa. A política local e nacional costuma ser o assunto principal, o que deve explicar o fato de aquele trecho ser conhecido como Boca Maldita. O lugar, ainda bastante frequentado por políticos, também é palco de manifestações populares, especialmente em ano eleitoral.
Para o aposentado Robertson Azeredo, esse hábito de parar na ''Boca'' para bater-papo surgiu quando os rapazes de sua geração transitavam pelo local, paquerando as moças que iam aos cinemas. Ali perto também funcionava a Casa do Estudante, então, era comum os jovens universitários ficarem até altas horas na rua. ''Quando estudava Direito, dividia um apartamento com um colega. Uma vez ficamos até as 5 horas conversando aqui. O dia já clareava quando perguntei a ele: por que estamos na rua se moramos juntos?'', diverte-se.
Luiz Alfredo Hollas, que veio de União da Vitória há mais de três décadas, é outro que frequenta diariamente a Boca Maldita. ''O perfil das conversas e dos grupos muda durante o dia. Logo cedo o pessoal fala mais sobre futebol. No final da manhã vêm os políticos. À tarde, fala-se sobre política, sobre como consertar o Brasil'', afirma.
Sobre a presença exclusiva de homens nas rodas, quem explica é Azeredo, num tom um tanto machista, mas bem-humorado, como costumam ser os ''habitués'' do local. ''Tentaram fazer uma vez a Boca Rouge, mas não deu certo. Mulher só faz fofoca e fala em homem!'', argumenta. (L.X.)





