Na base do esquenta-esfria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de abril de 2009
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Há quem diga que falar do tempo é pura falta de assunto. Mas o que seria das relações entre taxistas e passageiros, vizinhos de porta e estranhos em geral sem as oscilações climáticas para engrenar uma conversa?
Nesse sentido, o outono é um prato cheio para quem vibra a cada virada do tempo. Porque se trata de uma estação de transição, que guarda características tanto do verão quanto do inverno. Portanto, nada mais natural que o casaco vestido pela manhã seja tirado e colocado várias vezes ao longo do dia.
É o que explica - não nestes termos, claro - o meteorologista Marcelo Brauer, do Instituto Tecnológico Simepar. De acordo com ele, há dois climas principais: verão (quente e chuvoso) e inverno (frio e seco). Situado entre as duas fases, o outono intercala ondas de frio e calor até o fim de junho, quando termina.
''A gente ouve falar de 'outono com cara de verão' ou 'outono com cara de inverno'. Isso é bobagem'', garante o especialista. Brauer ainda brinca com a mania de se apegar à folhinha para tentar entender os fenômenos climáticos. ''Para as plantas ainda é verão. Elas não consultam o calendário para saber a hora de trocar de folhas''.
Outra desmistificação: o ''veranico'' nem sempre ocorre em maio, como se costuma acreditar. ''Não dá para prever, isso é uma imagem que se criou'', afirma. O que existe, ele diz, é uma expectativa de que esse curto período de calor intenso ocorra em maio, a exemplo de anos anteriores. ''Temos uma série longa de veranicos em maio. Mas, às vezes, pode ser em junho'', relativiza.
O mesmo vale para as geadas, que normalmente acontecem entre o fim de abril e o começo de maio. Como outros institutos de meteorologia, o Simepar as prevê apenas com três dias de antecedência. Antes disso, só se trabalha com a palavra ''risco''.
Sendo assim, ainda é cedo para pensar no inverno. Mas não custa tentar. ''Aqui não se fala em inverno ainda. Nossa previsão é trimestral, vai até junho'', explica. Tampouco adianta especular. ''Essa história de que o inverno vai ser rigoroso porque o verão foi quente não tem fundamentação. Também não existe relação entre o inverno no hemisfério norte e o nosso'', afirma.
Em tempo: nas poucas horas entre o início e o fechamento deste texto, a temperatura subiu quase cinco graus em Curitiba. E o ''invernico'' da manhã virou um começo de tarde tropical. Coisas do outono.


