Mutuários assumem término das obras
A avaliação da situação atual da massa falida da Encol feita pelo síndico Ovanir de Andrade é ainda pior para os mutuários que acionaram a empresa judicialmente. Segundo Andrade, praticamente todos os recursos recuperados com a venda dos bens da empresa devem ser destinados, a critério da Justiça, ao pagamento dos funcionários. ''O que vai restar não deve pagar nem os encargos tributários'', acredita ele.
A Encol trabalha atualmente na localização dos bens em nome da empresa espalhados por todo o País. Segundo Andrade, o trabalho é ''arqueológico.'' ''Temos literalmente que ''escavar'' escrituras e documentos para localizar tudo o que a empresa possui'', diz. Como exemplos, Andrade cita um convite, recebido há poucos dias, de um condomínio em Brasília para uma reunião de proprietários de apartamentos. ''Só assim descobrimos que a Encol tem propriedades no prédio em questão.''
Na semana de aniversário da falência, mais 90 carros foram localizados. Andrade descobriu também que todos eles rodam com documentos em dia. ''Provavelmente são ex-funcionários que usavam os veículos e não os devolveram após a falência'', explica Andrade.
O próximo passo para a direção é requerer junto à Justiça de Goiânia autorizações para dar início aos processos de venda dos bens. Mutuários, no entanto, não devem esperar por indenizações. ''De acordo com critérios jurídicos, eles são os últimos a receber, e não teremos dinheiro para isso'', afirma.
Uma solução que amortizaria parte dos prejuízos de quem comprou apartamentos da Encol, segundo Andrade, seria a continuidade das obras, tocadas pelos próprios mutuários. Em Londrina, José Wagner Nunes lidera um grupo de mutuários que resolveu terminar as obras de um prédio, localizado na Zona Sul da cidade. O empreendimento, segundo Wagner, deve ser concluído com preço 130% superior ao valor inicial.
Nunes, por exemplo, comprou seu apartamento ainda na planta. Pagou R$ 30 mil. ''Se tivesse deixado esse dinheiro na poupança, até 2002 eu teria quase R$ 90 mil. Parei de fazer os cálculos para não ficar com mais raiva'', diz. O prédio, segundo ele, está em fase de acabamento e precisa de mais R$ 180 mil para sua conclusão. ''São 40 apartamentos, mas somente 27 mutuários pagam as parcelas de R$ 600 por mês, ao longo dos últimos três anos. Inadimplência, má vontade e desânimo são alguns do problemas enfrentados pelos mutuários para concluir a obra.





