Música sertaneja abre a sessão
''Não dá tempo para isso não'', diz Valentin Barzan, 67 anos, na estrada desde de 1962, poucos minutos antes da sessão. ''E, para falar a verdade, não gosto de filmes''. Barzan conta que quando era moço os outros caminhoneiros iam até às cidades em grupos para ir aos cinemas, mas ele não. ''Nunca fui disso. Quando eu era jovem, de vez em quando eu ia para o bailão. Este eu gostava''. Poucos minutos depois, levado pelos colegas, lá estava Barzan acompanhando a exibição de Tropa de Elite no Posto 100.
Guaraci da Silva, ou Batista, como é mais conhecido, é de Resende, estado do Rio. Dos filmes brasileiros, o último que assistiu foi Central do Brasil. Mas admite com certa alegria que seu gosto é outro. ''É filme de ação mesmo''. Agradeço por ele conversar com a equipe da FOLHA e o deixamos descansar na cabine de seu caminhão. ''Ei!'', chama Batista vindo atrás de nós. ''Também vi o Auto da Compadecida'', lembra. Batista, tal como o senhor Barzan, seria um dos caminhoneiros presentes na sessão de Tropa.
Por trás de toda a estrutura, além de Jockheck, responsável por dirigir o caminhão-cinema, a equipe fixa ainda conta com dois promotores. Álvaro Fisten é um deles. ''Para chamar à atenção e convidar os caminhoneiros, mostramos um clipe sertanejo na abertura''.
De toda a experiência, Fisten vai guardar uma lembrança especial na memória. ''De todo esse tempo viajando é a imagem de um caminhoneiro que mais me chama atenção pois, depois de um bate-papo, ele me disse 'Poxa, obrigado por conversar comigo'. Foi emocionante''. Das dez cidades que passou, foi em Itajaí, no Posto Santa Rosa, que o promotor destaca a relação do público com o projeto. Nas sessões na cidade catarinense, as cadeiras foram todas ocupadas e a platéia ainda sentou-se nos corredores. (R.U.)





