Música para criar seres humanos melhores
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sexta-feira, 07 de novembro de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Para dar às crianças de seu país uma oportunidade de crescerem como seres humanos melhores, após a Segunda Guerra Mundial, o japonês Schinichi Suzuki criou um método revolucionário de ensino da música e de desenvolvimento da sensibilidade. Amanhã, às 20 horas, no Canal da Música, em Curitiba, a Orquestra de Cordas Suzuki realiza concerto em comemoração aos 30 anos da chegada do método ao Estado e da criação da Associação da Educação do Talento Musical do Paraná (AETMP).
A orquestra é formada por cerca de 50 integrantes com idade entre 5 e 20 anos, que aprenderam a tirar as primeiras notas de um instrumento musical assim como se aprende a língua materna, ouvindo e repetindo. As primeiras músicas eu tocava de ouvido, só fui aprender a ler partitura com 7 ou 8 anos, conta Luisa Teresa Hedler Ferreira, 17 anos.
Luisa começou a brincar de tocar violino aos 4 anos. Com essa idade as crianças aprendem a ouvir a música e como deve ser a postura de um violista. Apenas depois de familiarizadas com o instrumento e com a musicalidade já desenvolvida elas passam a aperfeiçoar a técnica. Cada um no seu ritmo. Fiquei um ano tocando a mesma música só para arrumar minha postura, lembra Luisa.
De acordo com a professora Edna Savytzky, o sistema prega que todos nós temos um talento que pode ser desenvolvido, por isso não existe seleção. Ninguém é excluído. Não existe teste durante o curso. A criança nem está percebendo que está aprendendo a técnica porque é uma coisa gostosa. Na primeira aula já sai tocando alguma coisa, explica a professora.
Sem a pressão de avaliações como no método tradicional, os alunos associam a música a algo divertido. Nas minhas fotos com o violino desde muito pequena eu sempre estou sorrindo e alegre, conta Isabella Schiavon, 10.
Uma das precursoras do método Suzuki no Estado, Edna trabalhou junto com a fundadora da Associação da Educação do Talento Musical do Paraná, Hildegard Soboll Martins, que foi regente da Orquestra Jovem da Universidade Federal do Paraná, nos anos 1970, época em que tomou contato com o novo método.
Faltavam músicos jovens e ela achou que poderia fabricar uma nova geração de músicos mais rapidamente. Aí começou a conhecer a profundidade do método. Vimos que não era só um livro mais moderno, uma forma mais fácil de aprender. A coisa aqui floresceu com muita rapidez, a gente foi fundo, recorda Edna.
No repertório do concerto desta noite estão músicas clássicas, valsas vienenses, tangos e música folclórica de diversos países. Participam também músicos convidados, com apresentações de piano, percussão, gaita de fole e canto. A direção artística do espetáculo é de Simone Ritzmann Savytzky.


