MÚSICA Banda independente ainda não tem espaço
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
No mercado independente, uma qualidade é essencial para o músico: versatilidade. Quase todo artista toca não em duas, mas em três, cinco bandas, ao mesmo tempo. As bandas extras em sua maioria são covers. O objetivo é quase que se manter ocupado 30 dias por mês. Esses ''bicos'' e muitas facetas artísticas são necessidades profissionais e de sobrevivência mesmo. Até porque, segundo os produtores fonográficos Rodrigo Barros (Rodrigão) e Luiz Ferreira, o mercado que existe e funciona bem, em Curitiba, é o utilitário ou de bandas covers.
''Das bandas que participaram da Grande Garagem, cinco acabaram. Isso é uma realidade. Terminam para começar outras. São trabalhos. O baixista do Maremotos, o Coxinha, também toca no Catalépticos, e em mais outras três. É necessário'', contextualiza Rodrigão. ''Nós também somos assim, temos as bandas Beijo a Força e a Maxixe Machine, tocamos a Grande Garagem, fazemos trilhas para teatro, cinema, trabalhamos na digitalização do acervo do jornalista Aramis Millarch'', compara.
''A área da música popular, em Curitiba, se destaca como criação. O que existe é um circuito pequeno, basicamente ligado aos bares, que não se trata de mercado, mas de emprego. Muita gente tem composição própria, mas se vê obrigada a fazer cover em bar, porque é o que funciona para ganhar dinheiro. Poucos bares trabalham com música autoral'', pontua Rodrigão. ''As bandas autorais ficam fadadas a tocarem em poucos teatros, como o Paiol e Sesc da Esquina e em palcos de bares como o do Era só o que Faltava'', disse ele.
Ferreira observa que os bares que apresentam bandas autorais ficam no anel central da cidade, o que limita ainda mais a divulgação. ''Os bares não têm como manter essas bandas tocando regularmente. Precisamos de políticas que interfiram nesse processo, incentivem a expansão da vida cultural para outros bairros da cidade e que os artistas e bares sejam mais profisisonais. Digo que, hoje, a lei de incentivo cultural faz muito mais pelas bandas do que os bares'', opina o produtor.
Outro entrave é a resistência do curitibano ao barulho. ''Curitiba tem um passado anti-barulho. O Raul de Souza me contou que, em 1950, tocava trombone na rua XV para ganhar uns trocados, e um dia, um guardinha chegou e disse pra ele: ei negão, não pode fazer barulho aqui. Imagine'', critica. ''Como então pensar em fazer um bairro dedicado a música, como Rebouças, por exemplo. Já tivemos problema com nossos vizinhos, envolveu até polícia. Muitos bares tiveram problema com vizinhos. Mas o barulho faz parte da festa, o rock é barulhento'', defende o produtor, completando que, por isso, os shows da Grande Garagem ocorrem em horário alternativo, das 20h às 22h.


