Musa pilota barco de Paranaguá a Guaraqueçaba
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Há dois anos fazendo a linha de barco que sai às 9 horas de Paranaguá, rumo a Guaraqueçaba, Ana Lucia Mendes Dina, 22 anos, já se acostumou com a cara de surpresa dos turistas quando vêem que uma mulher está pilotando o barco. A surpresa é praticamente inevitável, não apenas porque a profissão ainda é estritamente masculina, mas também pelo seu físico miúdo, tipo mignon mesmo, que dá a impressão de que ela não teria força suficiente para controlar o leme.
Bonita, vestindo mini-saia e de óculos escuros, ela nem liga. O pessoal de Guaraqueçaba está acostumado comigo. Eu cresci junto com meu pai, no mar. Só o turista que estranha, diz. Ana Lucia conta que decidiu ser piloto de barco aos 18 anos, quando viu uma mulher pilotando na Ilha do Mel. Na linha entre Pontal do Sul e a Ilha do Mel, segundo ela, existem outras mulheres, mas ela á a única a fazer a linha até Guaraqueçaba.
Natural de Paranaguá, vive com a família na Ilha dos Valadares, localidade famosa pela prática do fandango e ligada por uma ponte à Paranaguá. Ana diz que gosta do que faz. Tanto que já está pensando em se aperfeiçoar. Há quatro anos, tirou a carteira de marinheira auxiliar de convés, mas só há dois, herdou a linha diária no barco Friends, antes feita por seu pai.
Como exige a Capitania dos Portos, trabalha sempre em dupla, junto com o cunhado Josiel Demétrio Mendes, que é moço de convés. Isso siginifica que ela, como marinheira, conduz o barco durante quase toda a viagem, enquanto o cunhado é encarregado de fazer as manobras para atracar e desatracar a embarcação. Em junho, ela pretende fazer também sua habilitação para moça de convés.
De seis irmãos, três seguiram a profissão do pai. Ela e um rapaz de 20 anos já trabalham com barcos. Tenho outro irmão que é pequenininho, tem 14 anos, e já sabe dirigir bem. Ele também quer tirar carteira, conta.
A paixão pelo mar, diz, também é herança do pai, que começou na profissão com uma canoa a remo, depois passou para barcos a motor até construir seu próprio barco, o Friends, com capacidade para 82 pessoas. Há um ano, o pai está construindo outra embarcação grande, que deve ficar pronta em três meses. Ela acha que o novo barco vai substituir o Friends na linha para Guaraqueçaba.
Com a linha regular do barco, sobra pouco tempo para se dedicar a outras coisas. Ela sai às 9 horas e só chega de novo à Paranaguá por volta de 17 horas. Por isso, reserva o dia de domingo, quando tem sua folga semanal, para ver televisão, sair, e não fazer nada. Nesse dia é o namorado, que é padeiro em uma panificadora de Guaraqueçaba, é que tem que viajar para encontrá-la.


