Curitiba - Colonizada por 350 famílias de ucranianos entre 1895 e 1897 e emancipada em 1961, Antônio Olinto (121 km a leste de União da Vitória) é o município mais rural do Paraná, segundo estudo do Ipardes. Apenas 612 de seus 7.407 habitantes vivem na área urbana do município - 91,81% da população está em pequenas propriedades espalhadas pelos seus mais de 466 quilômetros quadrados de extensão.
Lá, os moradores vivem longe de alguns confortos como a Internet, que está disponível somente no centro da cidade, e de preocupações como um trânsito engarrafado.
''A cidade só funciona na terça e na quinta, e ainda só pela manhã. Depois do almoço não se vê uma viva alma'', anuncia o motorista Adenílso de Oliveira. Ele dirige um dos ônibus de transporte coletivo que liga a sede às comunidades, e funciona apenas nestes dois dias.
O horário não é dos mais confortáveis. Quem precisa ir à cidade tem que sair cedinho da cama porque o coletivo passa perto das 7h nas estradas principais. Em alguns casos, é preciso caminhar um bocado pelas ruas de chão para chegar ao ponto.
Para voltar, o cuidado é redobrado. Meio-dia em ponto a condução vai embora e quem perdeu não tem alternativa a não ser pedir carona ou enfrentar o trecho a pé.
''Até o cartório só funciona terça e quinta, o que é uma vergonha. Se alguém precisa de um documento, tem que esperar'', comenta Adenílso. ''O cartório só funciona nestes dias porque só existe transporte nestes dias. Fizemos seis meses de experiência abrindo às quartas-feiras, mas ninguém aparecia'', rebate a esposa do titular do Cartório, Romilda Terezinha Schramm.
O volume de trabalho é pequeno. ''Quase não há movimentação imobiliária, pois existe uma cultura de se fazer documentos privados e não há consciência da importância da escritura'', reclama Romilda.
Os registros civis também não são muitos. A cidade contabiliza em média cinco nascimentos por mês. Número igual ao de óbitos e menor do que o de casamentos, que não chegam a 20 por ano.
Os índices confirmam a informação de uma população praticamente estável. Segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, elaborado pela Organização das Nações Unidas, em 1991 Antônio Olinto possuía 7.733 habitantes.
Para Luci de Melo, o horário do cartório é de longe o menor problema da região. ''O mais difícil aqui é médico. Muitas vezes a enfermeira examina as crianças'', revolta-se.
Mãe de cinco filhos entre um e 13 anos, ela encontra dificuldades para levá-los ao médico, principalmente nos finais de semana, quando, segundo ela, existe um plantonista, mas que não realizaria o atendimento. Hospital, só em São Mateus do Sul, a dez quilômetros de distância.
A secretária municipal de saúde, Adalcir Machiavelli, explica que existe grande dificuldade em encontrar médicos que desejem morar na cidade, mesmo oferecendo um salário alto. ''Temos dificuldade em encontrar quem queira viver aqui, mesmo oferencendo salário de R$ 13 mil'', afirmou.
A falta de segurança, tão comum às grandes cidades, também já é um problema no interior. ''Até as moedas do cofre da santinha que vai de casa em casa já roubaram por aqui. Esses dias arrombaram a casa do meu vizinho e levaram R$ 9.700,00. Todo o dinheiro que ele tinha para pagar a safra'', conta Rosali Pepp Pereira.
A cidade conta com um módulo da polícia militar, mas a área extensa e a mata dificultam o patrulhamento. ''Quem está na cidade pensa que o interior é mais seguro. Está redondamente enganado. Já foi a época em que se podia deixar a casa aberta'', lamenta Rosali.

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