'MUNISÍTIOS' - Marquinho: trilha que virou município
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sábado, 16 de agosto de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Em meio às montanhas da região do Rio do Cobre, onde a paisagem despenca de alturas vertiginosas, uma população resolveu fincar morada. Fez do marco encontrado numa trilha um ponto de encontro e dali nasceu Marquinho, localidade da região de Cantuquiriguaçu que tornou-se município em 1997 e ainda hoje tem um dos maiores percentuais de moradores rurais: cerca de 5,1 mil pessoas, numa população total de 5,6 mil.
''Todo o sustento vem da bacia leiteira'', observa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Eduardo da Silva Melo. Aproximadamente 90% da população tem a pecuária como fonte de renda. A produção chega a 20 mil litros/dia, que são vendidos para sete empresas da região. O secretário municipal de Agricultura, Cilmar Estech, ressalta que a riqueza gerada pelos pequenos produtores mais os repasses do Fundo de Participação do Municípios (FPM) cobrem os gastos da prefeitura.
Ambos concordam que a situação já foi bem pior. A população rural estava desvalorizada e muitos se mudaram. O comércio urbano vivia à míngua, sem cliente para fazer a economia prosperar.
Mas algumas ações devolveram a esperança aos moradores. Gerente de um supermercado na cidade, Elisângela Viecelli diz que grande parte da clientela vem da Zona Rural e muitas vendas são fechadas como antigamente. ''A gente compra porco, vaca, bezerro para engorda, laranja, e desconta o valor da conta do cliente'', comenta a moça, que também explora um posto bancário. Ela se mudou há quatro meses, vinda de Balneário Camboriú (SC). ''Sinto falta da agitação, mas tenho facilidade de me adaptar.''
Na comunidade de Guampará, com cerca de 40 casas distante 18 km da cidade, o comerciante José Maria de Oliveira atesta que não lhe falta nada e que é feliz onde está. ''Nasci aqui, criei meus filhos, sustento minha família e tenho muitas amizades.'' Ele já tentou a sorte em Curitiba, mas ficou apenas duas semanas. ''Trabalhei como pedreiro mas não aguentei. Quando vi uma pessoa sendo assaltada no ônibus não deu mais. Aquilo não era para mim. Hoje, só vou para a cidade uma vez por mês pagar conta no banco'', brinca o comerciante.
Outra moradora antiga, Neusa Peters Tomalak é testemunha da melhoria da qualidade de vida da comunidade nos últimos 15 anos, desde que o posto de saúde foi aberto. Como auxiliar de enfermagem, ela compara que naquela época eram comuns casos de verminoses e desnutrição infantil. ''Hoje fazemos um trabalho preventivo, indo nas casas, visitando as pessoas'', argumenta.


