Com o propósito de criar o ''Trem Cultural, Turístico e Ambiental do Norte do Paraná'', secretários de Cultura, Turismo e Meio Ambiente de municípios no eixo Jataizinho-Maringá voltam a se reunir neste sábado, dia 27, em Jandaia do Sul. Durante o encontro, que é o quarto já realizado para discutir o projeto, será oficializada a criação de uma organização não-governamental (ONG), a ''Fundação Trem Ouro Verde''.
A idéia, lançada pelos diretores Nilson Lopes Andrade (Cultura) e Leone Alberto Teixeira (Turismo e Meio Ambiente), de Jandaia do Sul, foi aprovada por representantes dos municípios da região. A criação desta nova alternativa, destinada a valorizar a cultura, turismo e meio ambiente, surgiu após um levantamento feito por Andrade e Teixeira junto à Rede Ferroviária Federal e à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). ''Descobrimos que existe uma boa estrutura física disponível e que é viável seu aproveitamento num projeto deste tipo, integrando os municípios do trecho'', disse Andrade.
A proposta, conforme Leone, é aproveitar as duas locomotivas, do tipo ''Maria-Fumaça'', que estão paradas em Londrina e Maringá, além de vagões de passageiros da Rede Ferroviária Federal, que também estão desativados, para criar um comboio cultural na região, contemplando ainda as áreas de turismo e de meio ambiente. O projeto deverá integrar as cidades de Jataizinho, Ibiporã, Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Cambira, Jandaia do Sul, Mandaguari, Marialva e Maringá.
Para viabilizar o comboio cultural, os municípios estão buscando uma parceria com a Améria Latina Logística (ALL), empresa que, após a privatização, passou a controlar o tráfego de locomotivas e comboios de cargas neste trecho da ferrovia. ''De início, apesar de convidada, a empresa não enviou representante para participar das reuniões preliminares, mas em encontro realizado no início deste mês passou a participar da discussão'', revelou Andrade.
Segundo os autores da proposta, o objetivo é reunir todos os segmentos culturais, incluindo música, dança, teatro, artesanato e outros, partindo num comboio, de Londrina ou de Maringá, para um dia de atividades em uma das cidades do trecho.
''A cada final de semana, em sistema de rodízio, uma cidade do eixo teria um festival, praticamente a custo zero, concentrando os artistas em antigas estações ferroviárias, praças, teatros ou parques'', disse Andrade, acrescentando que o comboio cultural será uma excelente alternativa para dar oportunidade aos novos talentos.
Com a adesão dos 12 municípios do trecho, já está decidido que uma ONG irá dirigir todas as ações, podendo receber o apoio e captar recursos de prefeituras, do Estado e até da iniciativa privada. A primeira meta será adquirir em leilões da Rede Ferroviária Federal duas locomotivas e vagões de passageiros que estão em desuso.
Com o apoio da Rede e da ABPF, os municípios da região esperam conseguir autorização da ALL para utilizar este trecho da ferrovia aos domingos. Outro objetivo é conseguir reformar as duas locomotivas numa oficina especializada de Rio Negrinho (SC).

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